um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

divagações do mundo fantástico

pílulas da identidade secreta.

sabe, e depois de tanto armar e desamar, ando sentindo falta das borboletas no estômago.
10:15 AM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

o cultivo é simples: regar todos os dias pela manhã e pintar com sol quando chove, colecionando abraços e pétalas dos bem-me-queres.
1:58 PM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

para amar. para viver. para chacoalhar. para dançar o rock. para comer poesia. para pintar quadros. para criar novos mundos. para você.
2:01 PM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

você é a pessoa favorita de alguém?
4:56 AM Aug 26th, 2008 from TwitterFox

se soubesse onde te encontrar, escreveria um haikai sobre a falta que você me faz.
1:58 PM Aug 26th, 2008 from TwitterFox

elaboro engenharias do mundo fantástico, leio livros, compro os mesmos discos - para parecer contigo.
10:01 AM Aug 30th, 2008 from web

qual é o sabor do seu sorvete favorito?
9:42 PM Aug 31st, 2008 from web

sabor de inverno com calda de caramelo.
9:43 PM Aug 31st, 2008 from web

quando você me ajuda, volto a acreditar que é possível.
11:39 AM Sep 14th, 2008 from TwitterFox

gostaria de ser quem você pensa quando estou eu pensando em você.
11:41 AM Sep 14th, 2008 from TwitterFox

descobri que minha mania de começar e não terminar trabalhos, projetos e amores é culpa do meu ascendente: áries.
10:36 PM Oct 17th, 2008 from TwitterFox

gosto quando vou passando e os semáforos vão abrindo. parece que o mundo está a meu favor.
9:40 AM Oct 18th, 2008 from TwitterFox

às vezes penso se estivéssemos juntos, talvez n precisasse de mais ngm. abandonaria do meu coração as ocupações menores e o encheria de vc.
3:22 PM Nov 3rd, 2008 from web

e esse sou eu! pulando de bar em bar, de amor em amor, de trabalho em trabalho. sempre achando que estou desperdiçando a vida.
9:26 AM Nov 14th, 2008 from TwitterFox

paixão é combustível, amor é anestésico.
11:46 AM Nov 26th, 2008 from TwitterFox

teu beijo tem gosto de férias de verão.
7:11 AM Dec 15th, 2008 from TwitterFox

aurora.

a janela do box do banheiro tem face para o leste e  lembro bem de quando era criança tomando banho de manhã - a água caia do chuveiro refletindo a luz da aurora e criava, só para mim, uma porção de prismas coloridos e arcos-íris particulares.

não conhecia os conceitos de física ótica e aquilo despertava um sentimento mágico que foi se perdendo. naturalmente. como agora, cada vez menos tenho prestado atenção nos detalhes coloridos do cotidiano. não tenho tido momentos epifânicos para escrever sobre. a vida tem se mostrado bem mais objetiva e menos poética. naturalmente. mas decidi que esse ano as coisas mudarão.

vou pedir receitas novas para minhas lentes e tomar banho quando é cedo e o sol está nascendo.

pílulas urbanas.

tinha pensamentos bons quando passava pelas ruas e calçadas e avenidas e os semáforos iam ficando verde e parecia que todo universo conspirava a seu favor.

asclepias umbellata

Nagoya

quando penso nos dias em que vivi meio mundo para lá ainda sinto belisquinhos de saudades das cidades do futuro.asclepias umbellata planta da família das asclepiadáceas.

nome popular: saudade.

quintanilhas

ainda consigo te ouvir lá no fundo, bem baixinho, passarinho.
ainda me atormenta quando já é quase de dia e você vem e pia.
lembrar de você ainda são machucados com casquinha.

mas assim como as aves,
é só chacoalhar a cabeça que você vai embora.
pra você passar e “eu passarinho”.

para me deixar entrar

não importou se o mundo ao redor estava caindo: o tempo não parou para eu descer. o mundo continuou a girar, os velhinhos continuaram acordando cedo para passear seus cachorros, os pingados na padaria continuaram aquecendo os peitos gelados, as pequenas revoluções cotidianas permaneceram inabaladas e as cicatrizes criaram casquinhas e sararam.

quando amanheceu, o mundo foi se refazendo.

coldwar transmissions

aqui é o rádio russo, chamando todos para casa.
os espiões foram capturados, eles disseram tudo.
agora todos conhecem os passos, os pontos fracos.
retornem para casa, destruam os vestígios: a guerra acabou.

você está do outro lado, guerra fria é meta-física.

sobre a efemeridade #01

songs

quando perguntado o que vai, o que fica,
o que enjoa, o que é todo-dia.

responde, relevância.

o que significa.

astoria

Navio pirata

e mesmo que a gente volte de mãos vazias, nós ainda teremos as histórias das cicatrizes das batalhas, dos navios naufragados e dos corações feridos. dos ossos quebrados e das melhores amizades. life is only as good as the memories we make.

raindrops

um momento confuso, tudo acontece ao mesmo tempo e são tantas coisas e casos que não sei de que tempestade trarei palavras de conforto, se não estou embaixo de um guarda-chuva.

conjuntos dos naturais

sou designer por formação e publicitário por profissão, acho que esse é o problema.

são domínios que aguçam os sentidos visuais e plásticos das coisas. tem um certo charme e glamour, concordo!, mas ao mesmo tempo me faz perder alguma profundidade para sentimentos, comportamentos e melhores julgamentos. me falta ser humano.

e ser humano para mim é poesia.

é ler vida em parágrafos que outras pessoas escreveram e ver que no fundo os sentimentos são universais. é saber compreender a pessoa que não respondeu o seu desejo de bom dia, a que não segurou a porta do elevador, a que não te deu passagem no trânsito, a que não sorriu para você ao cruzar pela calçada, a que não disse obrigado, a quarta-feira que se perdeu em desconcertos.

estou em uma fase que me sinto numa encruzilhada: eu quero as ambições e turbulências de um mundo inteiro, mas preciso das amenidades e sabores que fazem felizes o presente. e definitivamente esses dois mundos, no meu mundo, são conjuntos que não têm intersecção.

de cada dia

parecido com o casamento cristão, handfasting é um ritual celta em que o casal jura amor perfeito e fidelidade durante um ano e um dia. e como marido e mulher, se comprometem, vivem e se descobrem todos os dias, mas sem o compromisso dos para-sempres, dos até-que-a-morte-nos-separe ou de aguentar alguns dissabores de proto-relacionamentos que, em dias de sol e poesia, a gente não se permitiria. só se ainda houver amor. e se quiserem. então, os votos se renovam para outro handfasting. ou terminam.

é o ritual do comprometimento cotidiano.

ana

ana está desperta e sonha
pensando nas palavras do trabalho
bebendo sucos do verão

se preciso,
ana perde os ponteiros do relógio
para o tempo parar.
para conseguir observar os giramundos
desde ushuaia até o panamá.

um sorriso para o mar,
sua fortaleza. se alimenta de sol
diz, ana. sua língua fala água e sal

dou um abraço, ternura atenta
você devolve risadas fortes como quem habita a vida

sua boca umedece com sabores e beijos
e palavras bonitas.

alguma economia

quando ligo para te desejar bons sonhos e beijos,
não gosto quando você responde com:
- outro.

tantas coisas me esperam

o que acontece é que todas as escolhas me escolhem em momentos epifânicos. como quando está de dia, mas as luzes da cidade estão acesas porque está chovendo e nublado e os pára-brisas parecem dançar ritmados com os jazzes que ouço de manhã. e quando olho para frente não enxergo a rua, o engarrafamento, os outros carros. vejo os lugares onde eu gostaria de estar, as pessoas que deveria de amar e as coisas que poderia estar fazendo, mas não estou, não amo ou não faço, ou por falta de tempo, coragem ou por pura preguiça mesmo.

são nesses momentos que eu decido deixar tudo e comprar passagens para viagens, amores e combinações divertidas de cores para os próximos trabalhos.

ano novo, ano velho

assim como drummond, penso que nossos antepassados em algum dia resolveram dividir o tempo (em dias, meses, anos, etc…) para não perder a esperança que amanhã, mês que vem ou o próximo ano será melhor. então, os ânimos e energias se renovam e começa tudo novo de novo. novos erros, novos acertos. amores e desconcertos. de dois mil e sete eu já cansei e estou praticamente fechando para balanço.

sinto energias e sorrisos gigantes para dois mil e oito!

1300

1300 é um asteróide.

que ainda não enxergo a olho nu, 1300 fica no cinturão de asteróides, entre marte, quarta-feira e júpiter. escondido em nuvens cinzentas, me manda saudações, abraços e beijinhos com sabor de cookies.

1300 descreve uma órbita aproximando-se periodicamente do meu mundo. sua força gravitacional me tira do chão, mas ao mesmo tempo me traz um milhão de dúvidas por estarmos tão perto e tão distantes. muitos pensamentos ocorrem na minha cabeça e ainda não sei sob quais ventos poderei enfrentar meu destino ao seu lado, mas sei que será muito alto e intenso.

vou te caçar, asteróide. com as redes de pegar borboletas, você me arrasta pelo espaço igual quando se caçam estrelas cadentes. tenho um sentimento que vou voar mais alto que o céu e não estarei mais sozinho nessa viagem. e isto é apenas o começo.

te espero.

um lugar.

eu conheço um lugar onde podemos ir. um lugar onde ninguém nos conhece. e eles não saberão quem somos. um lugar que nós podemos fugir e fazer o que tivermos vontade. um lugar que esqueceram. um lugar onde nunca seremos pegos. um lugar escondido, onde podemos colocar os corações para fora. onde cada segundo faz diferença e eles não saberão quem somos.

luna,

ou sobre a viagem de méliès.

12 de agosto, lua nova.
preparativos. suprimentos para a excursão: água mineral, comida desidratada, 2 quartetos, 2 tercetos e porta-retrato com fotos suas. as perseídeas chegam neste dia. chuvas de meteoros são caronas que passam logo alí para a

20 de agosto, quarto crescente.
viagem. não nos esqueçamos da cafeteira. e dos cachecóis. o aroma do café para aliviar o cheiro de atmosfera rarefeita da lua. o cachecol para as correntes frias que vêm do sul. a meteorologia diz que a qualidade do ar lá fora é ruim. estamos muito altos, a

28 de agosto, lua cheia.
explorar. para fazer brotar um jardim de girassóis, amores e seres extraterrestres preciso do verão. é um terreno irregular, lemos as crateras em braille e identificamos rostos alegres com a nossa chegada. na lua, há ovelhas disfarçadas de nuvens que a olho nu, da terra até se engana, mas daqui, servem de travesseiros para

4 de setembro, lua minguante.
dormir. os abraços em formato de concha. a lua ia ficando pequena e côncava. e não havia espaço para esticar as pernas. este satélite é o novo mundo, onde ainda não existe muita coisa e podemos esquecer e começar tudo de novo - inventando novos nomes para nós e para as estrelas que caem das nossas constelações.

mandando beijos para a chuva.

para r.

te proteger da violência que anda escondida pelos cotidianos.
para que ela não nos encontre.
e para que nada te deixe triste.
e com medo.

e as gotas que correrão pelo seu rosto serão só gotas de chuva enquanto você olha pra cima
e sorri
e dança
e gira o corpo com seus braços e abraços abertos para deixar mais alegres esses temporais mal-humorados. e um pouco dessa tristeza em mim.

o inverno.

o inverno começa de verdade quando além das fumaças do cigarro, nos tragos também saem os vaporzinhos. quando tiramos os cachecóis das gavetas e abraçamos o pescoço. que abraçam a alma de quem precisa de carinho e algum conforto. percebe-se o inverno, quando as putas aparecem vestidas nas ruas perdidas do centro se encolhendo nas portas das lojas fechadas. quando os abraços de cumprimento ficam mais fortes e a gente se dá calor. e preferimos canecas de café. as vontades se potencializam e o inverno me traz pessoas queridas desejando “um cachecol feito de meninices para um menininho se manter sempre aquecido… que este inverno te traga ainda mais inspirações e quem sabe alguem pra voce ficar divagando em tardes tediantes.”

bem-vindo!

aquele que foge de seu controle.
uma poesia.
sobre a valsinha do relógio de ponteiros,
compassada com sábados, domingos
e claves de sol, sorria.

para respirar risos, bom dias.

sobre o seu tempo:
um pouco para mim.

welcome the night.

os dias são divididos por espectros de céu. faixas coloridas de azul e todos os seus tons. o céu, de vez em quando, é laranja, vermelho ou rosa - como a carolina gostava - e quem diz que o céu é azul “é analfabeto de céu”.

o cheiro da juventude (desses tempos). o céu tem a cor da sensação do primeiro gole de cerveja. das seis horas. quando sobra um cigarro no maço. e o que importa é agora. eu tenho as cores nas pontas dos dedos e o céu de todas as cores que quiser. de vez em quando, é cravejado por diamantes, constelações que contam histórias mitológicas e do futuro.

a linha que divide o dia da noite.

altos-cúmulos.

no intervalo do espetáculo.
a barraca de algodão-doce.
queridos são
os mais coloridos.
os que deixam os ânimos mais alegres.

algodão-doce se escolhe pelas cores. todos eles têm o mesmo sabor:
sabor de nuvem.

[ps: editado pela professora ‘fodona’ de teoria literária da unicamp da lily para o deixar o leitor interpretar livremente.]

quanto tempo tenho que ficar com os fones no ouvido quando você me pede para ouvir a música que mudará a minha vida?

tecnicolor

it’s time to get in touch with things, we always used to dream about. i’ll take a train in technicolor. um amor tecnicolor para procurar poesia nos cantos mais escondidos da dança das horas. embaixo da cama, com pés de meias perdidas para sempre. na plataforma do metrô quando o trem apita e parte. no café, com um pouco de leite e sem espuma, por favor, ou ao meu lado e nem consigo enxergar, en-chegar, chegar.

com meu amor, para você

construir um novo mundo.
tudo que sonha fazer.
com meu amor… para você:

eu tive centenas de sonhos,
mas nenhum como esse.
e senti milhares coisas,
que nunca chegaram perto disso.

vamos. ver o mundo girar.
as cores colidirem,
com a esperança ao nosso lado
e tudo isto é meu.
com meu amor. para você.

a manhã conhece músicas,
cantadas como se nunca tivessem sido ouvidas.
e todos os aromas, vistas que me trouxeram vida
não conseguem conter esta alegria ainda não interpretada.

diga-me o seu sonho
e eu estarei lá.
para te servir.
com todo cuidado.

se você não se importar,
tudo o que tenho está aqui.
e tudo que eu tenho, eu darei.

com meu amor. para você.

sonhos de jung

as imagens registradas pelo subconsciente são a matéria prima para os nossos sonhos.

andava passando-as pelos dedos, apertando-as nas palmas e deixando cair até o fundo. era cíclico.

haverá um tempo em que as declarações de amor serão gritadas como se fossem palavras de ordem com ritmo e power chords e todos os sentidos serão aguçados pelos decibéis, o êxtase correrá pelas vias sangüíneas e teremos vontade de dançar a noite toda. e tudo será tão rápido e corrido quanto os nossos dias.

era uma caixinha de música onde passavam amores e pessoas, um lugar para guardar pingentes achados, correntinhas com fechos quebrados e brincos sem tarrachas. sentimentos que podemos descartar, mas guardamos, pois somos um pouco de tudo e todos que passaram pelas nossas vidas e recordações em cicatrizes de leve.

haverá um tempo onde o amor será um rótulo e os sentimentos não deveriam ser batizados. deveriam ser deixados sorrindo para serem vividos para sempre até a próxima sexta-feira. e o para sempre durará tanto tempo, que chegaremos lá sem perceber nunca acabará.

eram palavras imaturas para descrever os sentidos. eu pegarei a sua mão, se você apertar a minha. ele tinha um punhado de pétalas nas palmas das mãos.