“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
14 Set
quando penso nos dias em que vivi meio mundo para lá ainda sinto belisquinhos de saudades das cidades do futuro.asclepias umbellata planta da família das asclepiadáceas.
nome popular: saudade.
14 Ago
ainda consigo te ouvir lá no fundo, bem baixinho, passarinho.
ainda me atormenta quando já é quase de dia e você vem e pia.
lembrar de você ainda são machucados com casquinha.
mas assim como as aves,
é só chacoalhar a cabeça que você vai embora.
pra você passar e “eu passarinho”.
27 Jul
não importou se o mundo ao redor estava caindo: o tempo não parou para eu descer. o mundo continuou a girar, os velhinhos continuaram acordando cedo para passear seus cachorros, os pingados na padaria continuaram aquecendo os peitos gelados, as pequenas revoluções cotidianas permaneceram inabaladas e as cicatrizes criaram casquinhas e sararam.
quando amanheceu, o mundo foi se refazendo.
25 Jun
talvez tenha um pouco de razão. quero muitas coisas e mudo todos os planos. minha vida é uma raíz com muitas ramificações, mas nenhuma consegue ser tão profunda que me prende forte ao chão. deixo crescerem um pouco, enjôo e crio outra pontinha para explorar. as vontades são os furacões que me arrancam da terra.
mas não conseguiria viver sem esses impulsos e paixões que surgem de uma hora para outra e somem efêmeros como vieram. a vida pronta me cansa. eu preciso de jardins para cultivar, amores para morrer-de e países para me perder.
22 Abr
um momento confuso, tudo acontece ao mesmo tempo e são tantas coisas e casos que não sei de que tempestade trarei palavras de conforto, se não estou embaixo de um guarda-chuva.
18 Mar
admiro as pessoas que conseguem ganhar dinheiro sem perder a sinceridade e a poesia. o meu conselho default para todo mundo que pergunta o que fazer, eu digo, é piegas, segue o coração. porra, o mínimo que a gente deveria se permitir é alguma felicidade.
mas agora a minha ambição está me comprando, e eu nem tô tão feliz assim.
10 Mar
vejo o subúrbio crescer e mudar quando tento enxergar a calçada que eu andava sem pisar nas linhas indo para a escola. e agora que foi reformada, o caminho que a gente tinha decorado para não pisar nos rejuntes e nas rachaduras dos pisos não existem mais.
mas quase não enxergo. volto do trabalho. é noite. e não me preocupo mais em pisar ou não nas linhas. vivo correndo e não presto atenção para o chão. nem para o cheiro do tempero do feijão dos jantares que sai pela janela das casas e escapole para a rua. para o portão marrom que eu passava correndo por causa do buldogue que latia. agora nem reparo se ainda há buldogue naquele portão. quando a árvore de jasmim florescia e eu ia andar no meio da rua, porque odiava aquele cheiro de jasmim.
mas agora é a época de floração do jasmim e é esse cheiro que faz lembrar a rua de cima que ficava na minha infância.
26 Dez
é, estou saindo de férias! e com tantas festas, comidas, bebidas e irresponsabilidades que fiz por esses dias, nem deu tempo para me dedicar a mensagem de final de ano com meus balanços de 2007 e dos votos para o ano que vem. bom, mais um furo de 2007. ainda bem que está acabando!
até 2008. sorte na vida!
14 Dez
“o amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.”
(carlos drummond de andrade)
dos raros amores raros que possuo, rebecca é o lugar mais distante onde meu coração mora. fisicamente. são cinquenta e cinco quilômetros, um pedágio que se paga com dinheiro e um pedágio que se paga com suas maluquices. este último faz com que esta distância pareça uma eternidade e um lugar pouco confortável para se estabelecer um lar.
mas, passada essas barreiras, tudo fica bem e encontrá-la faz-me apaixonar a cada sorriso, a cada careta, a cada abraço e beijinho. seus carinhos me fazem voar e perder os sentidos. aí esqueço como isso tudo começou e então, penso em planos, calendários e se algum dia teremos algum futuro juntos. eu não sei onde seus devaneios a levarão, mas eu vou estar sempre no mesmo lugar. para você não esquecer o caminho quando querer voltar.
ela é maluca e faz vales e montanhas para os meus sentimentos.
creio que esse que seja o charme de rebecca.
7 Dez
o que acontece é que todas as escolhas me escolhem em momentos epifânicos. como quando está de dia, mas as luzes da cidade estão acesas porque está chovendo e nublado e os pára-brisas parecem dançar ritmados com os jazzes que ouço de manhã. e quando olho para frente não enxergo a rua, o engarrafamento, os outros carros. vejo os lugares onde eu gostaria de estar, as pessoas que deveria de amar e as coisas que poderia estar fazendo, mas não estou, não amo ou não faço, ou por falta de tempo, coragem ou por pura preguiça mesmo.
são nesses momentos que eu decido deixar tudo e comprar passagens para viagens, amores e combinações divertidas de cores para os próximos trabalhos.
4 Dez
yutaka é o meu primo japonês. que eu não sabia que existia, até ele mandar uma carta perguntando se podia passar um tempo aqui. e apesar de toda revolução que aconteceu em casa, de resolverem ceder o meu quarto para o estrangeiro, eu dormir no sofá, ter chá onde devia ter refrigerante e arroz para o café da manhã, eu gostei.
os costumes são diferentes, mas vivendo com ele me faz relembrar como é o cheiro do mundo. de ter saudades como rotina e conhecer novos lugares, amigos, comidas, abraços e cervejas. sinto falta desse olhar estrangeiro, do deslumbramento que a gente tem quando a cidade respira em línguas que a gente não conhece.
o diálogo entre eu e meu primo é uma mistura excêntrica de inglês e japonês com pitadas suaves de mímicas e onomatopéias. sou um tipo de especialista bizarro em falar com pessoas sem saber a língua. é engraçado. aprendo muitos palavrões. o foda é fazer as mímicas.
29 Nov
tem dias que não tenho voltado para casa. e quando um dia encontra o outro, não sinto o correr das horas e tudo parece uma coisa só e uma semana se passou e não lembro se o que aconteceu foi hoje de manhã, anteontem ou quarta-feira. e nessa correria não há tempo, nem sanidade, para pensar nas sutilezas dos dias, no relógio biológico da poesia cotidiana.
às vezes, penso se isso é necessário. e de vez em quando, me permito passar por alguns esforços, xavecos mal-sucedidos, dores e tropeços para tentar conquistar algumas coisas. mas será que precisa? no mundo inventado, a gente faz o que tem vontade e o que faz bem. não fala com quem não gosta. e o que não quer comer, deixa no cantinho do prato, não pega coletivos em horários caóticos: a gente faz a vida no nosso tempo e vai mais sossegado. ainda lê um livro na viagem. no mundo inventado, o único lugar onde a gente se perde são nos parágrafos compridos demais enquanto a gente se pega divagando em outras belezas.
será que precisa?
15 Nov
essa sensação de incompletude é irritante.
quando a bateria do celular fica no último nível, a do ipod no vermelho, o indicador da gasolina piscando e, principalmente, quando algumas expectativas não acontecem. e isso causa uma certa angústia para todos os pequenos defeitos que não repararia se fosse um dia normal (com doses comedidas de quintanares). e a gente se perde e as ruas aparecem na contra-mão e o semáforo fica amarelo e avanço mesmo assim. a tv indica tempo nublado com pancadas de chuva e mau humorzinho para todo o dia.
mas só chove na hora de sair.
e fico com os tênis, meias, barras da calça e quereres enxarcados em um dia que tudo o que mais desejo é ficar em casa, embaixo dos cobertores, assistindo seriados da tv a cabo, segurando uma caneca de chá quente com as duas mãos para aquecer todas as coisas que as enxurradas levaram hoje.
31 Out
fui para curitiba ver o tim festival e dar uma voltinha.
28 Out
os livros são organizados pela cor da capa. na prateleira, eles formam um degradê divertido e criam necessidades. no momento: os com capas amarelas. não é muito prático, mas é mais agradável arco-íris para ser ver todos-os-dias.
o inusitado para fugir da rotina. procurar por caminhos alternativos. rotas de carro para o trabalho e de sorrisos para as rotinas. e buscar alegrias nas pequenas coisas do dia.
outro dia, vi num sebo a edição em espanhol de “história de cronópios e famas” do cortázar. o livro mostra uma maneira da vida ser menos pesada se você for cronópio. a força deles vem da poesia, da rebeldia e do questionamento contra o que é padrão, o que é de costume.
ainda não sabe espanhol, mas a capa é amarela. e o melhor do cortázar transborda poesia e jeitos de viver. assim que classifica os livros.
25 Out
depois de três meses de reforma e mais um até terminar o estúdio, a gnete se isola dentro da bolha de todos os dias e não dá para saber o que está acontecendo no mundo. aí, todos os dias parecem iguais e não consigo mais te ver nas pequenas frestas do cotidiano. e só ontem soube dos monges do mianmar quando, por acaso, li no jornal que estava forrando o chão para pintar o sofá da recepção. não que isso vá mudar a minha vida, talvez eu nem saiba onde fique o mianmar. mas me senti um pouco hamster, que só vê as novidades quando trocam o forro da gaiola. e ainda com os horóscopos e sortes com prazo de validade vencidos.
8 Jul
é julho. algumas semanas antes, eu pensava e olhava se lá era onde eu deveria estar. porque a correria cotidiana e todo esse estresse tomava tanto tempo da vida que não sobrava espaço para a poesia dos dias.
e de volta à idéia do eterno retorno de kundera: fecho mais um ciclo na minha vida. por mais que eu amasse o que eu fazia, depois de quase 3 anos, o meu lugar e tempo não eram mais ali. eu deixei o meu emprego. minhas ansiedades, sonhos e precipitações exigiram outras continuidades.
para alimentar novas esperanças. em um mundo com as cores renovadas e as energias reabastecidas que inevitavelmente vão acabando aos pouquinhos e a gente não percebe e começa a odiar as segundas-feiras e todas essas pequenas coisas que aborrecem os medíocres e medianos.
a gente cria um mundo para se proteger e nele a vida é para sempre sexta-feira. com o vento para balançar os cabelos e aquele sol para nos abraçar confortavelmente.
1 Mai
novamente - insistentemente - procuro o mundo em paixões fulminantes. e me vem à cabeça a idéia do eterno retorno. a repetição dos ciclos constantes que acontecem na minha vida: clichês que inspiram a criação e a leveza. esperas por pessoas que talvez nunca cheguem e juras de que tudo vai dar certo. deixo o carro na garagem para economizar dinheiro e gastar mais vida. nos coletivos, a música alta e os óculos escuros evitam ruídos exteriores. a fumaça do cigarro. todo aquele jazz. e você em paixões fulminantes. em círculos.
18 Abr
as pessoas que vivem poesia não deveriam andar, conviver, tomar cerveja, banho quente ou sorvete de sabores favoritos com pessoas que não gostam de versos. elas fazem perder as emoções e esperanças com um jeito racional e pequeno de vi-ver. e são demenos para poetas. não mudam o mundo e não têm forças invencíveis que o fazem girar. eles não sabem a cor do céu.
eu tenho bilhetes para o mundo fantástico.
25 Mar
o hélio costumava dizer que as pessoas não casam com seus pares apaixonados, mas com aquelas que se completam de alguma forma que não conseguem explicar.
que queremos para sempre aquelas que se preocupam com a gente pelas coisas mínimas. as diferenças. os detalhes. as que ligam falando que eu me esqueci da blusa pendurada no encosto da cadeira e está frio lá fora. as que olham nos olhos e disparam sorrisos mesmo quando se está na chuva e não há toldos para se esconder. não aquelas que engolimos em grandes pedaços e explodem em sentimentos pelo peito, que é bom também, mas não, não é isso.
24 Set
diga-me que quando ficarmos velhos e juntos, não teremos lugares fixos na cama. e a cada dia um lado para um. para não cairmos nas rotinas dos detalhes. e que eu possa ir no banco do passageiro com as pernas apoiadas no porta-luvas, que a gente cometa erros diferentes, a gente troque os lugares, os sabores das pizzas, os bancos de praça, os cheiros dos purificadores de ar, os toques e beijos e cortes de cabelo. evitando as rotinas das sutilezas, a gente tenta evitar o nosso tempo, os grãos da ampulheta, desabando pelos minutos.
24 Set
quando o vento está forte, ela envolve a minha chama com suas pequenas mãos e unhas coloridas para eu acender o cigarro.
1 Set
quando sair da minha vida, leve um agasalho.
28 Ago
estou vivendo momentos passam depressa demais até para se pensar. o tempo não pode ser preso em fotos, cheiros, palavras e pessoas. a velocidade dos eixos giram minha vida me deixa atordoado. estou sendo levado. fazendo coisas que não me fazem feliz. mas me mantém funcionando, checando controles: ok.
quero inconstâncias. cicatrizes e soprinhos. para que o presente valha a pena e esperar tudo de tudo que está por vir. não quero perder tempo com quem não vale um oi!, vivendo de momentos que passaram. eu quero o mundo e este instante. vinte e poucos e novas realidades. quero experiências encravadas na pele e com as duas mãos comprimem dentro do peito. a cidade em motion-blur, com luzes desfocadas e copos de cerveja. menos cigarros e milhares de planos e casa e carro e um amor
que não morre nunca: motocontínuo.
22 Jan
how long before i get in?
before it starts, before i begin?
how long before you decide?
before i know what it feels like?
a melhor hora, incontestavelmente, é seis horas da sexta-feira. por mais que goste do meu trabalho, é a melhor sensação caminhar para casa com o sol caindo, a música nos fones de ouvido, o peso e todo o calor da semana evaporando no fim da tarde. o ar fica mais aconchegante. bom de respirar. na televisão, essa semana todos os dias foram os dias mais quentes do ano e a frente fria do sul que ia chegar terça-feira deve ter se perdido por aí.
look up, i look up at night,
planets are moving at the speed of light.
climb up, up in the trees,
every chance that you get,
is a chance you seize.
voltando pela avenida paulista, o rock embala os passos, o cigarro roda pelos dedos e faz o corpo mais leve. ver todo aquele trânsito de horário de pico, assistindo da calçada, as luzes e pessoas correndo para não perder o ônibus, o horário das aulas, pessoas queridas. desço para o metrô.
all that noise, and all that sound,
all those places i got found.
and birds go flying at the speed of sound,
to show you how it all began.
birds came flying from the underground,
if you could see it then you’d understand?
28 Dez
inevitável. afinal, apesar dos desastres naturais e dos desastres humanos mesmo, políticos tresloucados e um presidente da câmara chamado severino entre outras e demais cagadas, 2005 foi um ano bom. para mim.
(emprego)
no final do ano passado, fiz um monte de entrevistas. me chamaram em três lugares. a escolha foi difícil, mas fui para o lugar certo. estou no emprego que eu consegui ficar mais tempo (um ano!) e nem dói tanto acordar cedo todos os dias para ir trabalhar. adoro o que eu faço e as pessoas de lá.
(pessoas boas)
falando em gente, este ano conheci um monte de pessoas gostosas de viver: amigos do peito, mães de consideração, companhia para cigarro, companheiros para vida. gente que eu não conheci tão afundo assim, mas pretendo. princesas perdidas em cidades distantes. irmãos de abraço. conheci pessoas para se admirar. para querer ser. muita gente também se afastou, eu também me afastei - me falaram para querer bem só quem me quer.
(pessoas não tão boas assim)
criei alguns inimigos. peço desculpas pelas coisas que podem ter magoado, ferido sentimentos. eu desejo sorte e novas oportunidades. e para os que não merecem tanto assim, desejo quintanilhas:
(leitura)
“todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão.
eu passarinho!”
e li coisas muito legais - desculpe, não tive muito tempo para escrever sobre - mário quintana, garcia marques, algumas coisas do cortázar, foram algumas dezenas de horas em ônibus de viagem e esperas que iam se preenchendo com letras e ambientes imaginários.
(viagens)
pode se dizer que viajei pra caralho. conheci cidades que eu não sabia que existiam (são um mundo a dentro). e nessas cidades conheci muita gente bacana. ares diferentes, horizontes feitos com outras linhas. x-burguer com presunto! e farmácias que vendem isqueiros. (surreal, né?) numa dessas viagens, no dia 25 de setembro eu vi weezer em curitiba, era 1 hora da manhã e eu estava meio embriagado de campari, eles pareciam bonequinhos de brinquedo, as luzes coloridas, encontrei gente conhecida de tantos lugares, foi perfeito. e no dia seguinte, conheci a tai, minha namorada.
(felicidade!)
mas trocando em miúdos: 2005 foi um ano muito bom e que venha o bissexto 2006, com um dia a mais de lambuja, muito mais sonhos.
14 Dez
gosto de viajar pela madrugada, quando não se consegue enxergar a monotonia da mesma estrada de infinitas horas para os olhos e psicológico. ligo os fones de ouvido e durmo já nas primeiras músicas, antes de sair de são paulo. e sempre acordo do mesmo lugar: vendo os tubos de paradas de ônibus naquela avenida grande que não sei o nome com o dia amanhecendo e o frio.gosto de viajar assim, quando não é dia de nada, não tem ponte, nem feriados emendados. há poucos lugares ocupados e a gente joga as pernas na poltrona ao lado para não dar mau jeito.
viajar é como fazer a sesta depois do almoço, é um descanso, um respiro entre as horas quotidianas. é sair da rotina, respirar novos ares. é pessoas ficarem olhando estranho estrangeiros. é levar camisetas de frio e fazer o maior calor tropical terrestre, levar bermudas e nevar. esquecer o fio dental, shampoo, barbeador e lembrar só lá.
minha irmã diz que sabe quando eu fui viajar quando de noite vai escovar os dentes e não encontra a minha escova. viajar é levar a escova de dentes para passear.
17 Nov
esse feriado fui para curitiba de novo. desta vez conheci um pouco melhor a cidade. não estava nublado e nem fiquei so far away do centro. foram quatro dias andando, dormindo, comendo e andando (você não tem idéia do quanto andamos!) por lá. fazia tempo que eu não andava tanto assim e com o sol que fez por esses dias, os caminhos pareciam triplicar. pela noite, tudo era mais perto.curitiba é charmosa, uma pequena cidade grande. milhares de pracinhas e ruas de mão única, ruas arborizadas bem cuidadas.
são paulo, em meio de arranha-céus, ofuscantes luzes de neon, vias expressas e conturbados centros de compras, tem tanta vontade de crescer e desenvolver que esquece de se embelezar nas pequenas coisas. em suas praças abandonadas, portões enferrujados, calçadas quebradas e pessoas com bom-senso.
curitiba é uma cidade que gostaria de morar por algum tempo, algum dia. espero que em breve.
3 Nov
comprei fones de ouvidos novos. já devo ter falado sobre isso em algum dos diários anteriores, mas estes novos são melhores: eles vedam qualquer possibilidade de exterior.e se tudo se resumisse a sentidos auditivos, a gente cria um mundo selecionável onde só temos o que queremos, nos deixa bem.
porque não podemos ter só o que queremos, o que escolhemos, mas ter algum controle em certas coisas é anestésico para esses dias que cansam.
20 Out
às vezes, ela canta quando fala. tem um gosto musical um tanto duvidoso. tem também um gato que apanha dos outros gatos da rua e uma parte dos meus sentimentos que levou quando era 26 de setembro e tocavam umas musiquinhas tristenstrumentais de fundo e o alto falante avisava que era a última chamada para o seu ônibus.
eu quero estar perto de você. somos planos para o futuro em 16 por 20. mas que cheguem logo! esses dias que passaram foram frios e chuvosos, agora, voaram. encoberto de nuvens e cobertorezinhos de merda.
tomara que não chova. depois de amanhã serão estrelas e smokisses e um monte de gírias e piadas internas que talvez ninguém entenda, sei lá, talvez nem sejam importantes assim para as pessoas do mundo exterior: são reações químicas que eu matei aula no colégio.
ela é feita de pequenos pedaços de esperança em vozes macias nesse meu cotidiano caótico cantarolando eu te amos. não percebia, mas isso me fazia falta. e pra caralho.
23 Set
a fixação de sempre querer ir para fora - para abraçar o mundo, esquecia-me daqui. que tenho muito a conhecer e amar. para descansar a alma, cicatrizantes para corações. corre trilhas, centenas de quilômetros, correm olfatos para novos aromas e sentidos. corre por planaltos e sabores diferentes, vegetações de coníferas e celestes laranjas.
há tanto mundo a dentro, beleza e sentimentos que estufam e explodem de vida o peito no (nosso) interior. e se descobre que fora de são paulo e dos nossos cotidianos, não há somente pracinhas e igrejas matrizes. há amores longínquos e pessoas muito especiais atravessando alguns estados.
esteja onde eu puder te alcançar.
26 Jun
começa assim, começa segunda-feira. começa quando as aulas da faculdade terminam e saio do trabalho às seis. começa quando chove mais ou menos e o frio é o juniano. e depois que me despeço no elevador, lá fora, no outro lado da rua, uma banda de jazz explode acordes para fora do teatro - inusitadamente: é programação de inverno.
aquelas luzes laranjas da rua maria antônia e da consolação. as garoas reluzem calores. acendo meu cigarro e deixo as pequenas gotas irem me resfriando. penso em corações flechados subindo a avenida consolação.
no cruzamento com a avenida paulista, não me lembrava, agora a maioria dos postes de luz agora são de luzes quentes. as pessoas passam correndo, fugindo do frio e chuva. e apesar de querer ir embora daqui, são paulo é a mais aconchegante das cidades. e um dia inteiro de trabalho voltando por entre pessoas, pelas luzes e reflexos, por cima dos respiros do metrô, um ar quente que parece carinho.
caminho com fones de ouvidos e cachecóis e acaba em um clarão, descendo as escadas do metrô.