“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
30 Mar
“— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas…
— Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.”
Morte e Vida Severina,
30 Mar
“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).”
Morte e Vida Severina,
30 Mar

Morte e Vida Severina / João Cabral de Melo Neto
- São Paulo: Nova Fronteira, 2006.
167 páginas
Depois de ler “Poeta e a Mídia - Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto”, onde são apresentadas comparações entre estes dois autores, fiquei instigado para ler alguma coisa de João Cabral de Melo Neto. Drummond é um dos meus preferidos, vou tentar entender o seu oposto: o lado mais racional e estético da poesia brasileira. E começo pelo clássico: Morte e Vida Severina.Morte e Vida Severina.