“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
30 Mar
“De forma geral, não me detenho muito nessas recordações. Passados tantos anos, já perderam o poder de me afetar: o tempo neutralizou-as. Só puderam recobrar vida[s] deformadas, irreconhecíveis e ganhando, no decorrer de sua transformação, um sentido obsceno.”
História do olho, p. 91
30 Mar
“Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama “os prazeres da carne”, justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por “sujo”. Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado…”
História do olho, p. 58
30 Mar
“Deitei-me então na grama, o crânio apoiado numa pedra lisa e os olhos abertos sobre a Via Láctea, estranho rombo de esperma astral e de urina celeste cavado na caixa craniana das constelações.”
História do olho, p. 57
30 Mar

História do olho / Georges Bataille.
- São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
135 páginas
Esse livro foi recomendação da Renata.