um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

história do olho

apesar de tudo, ela se recuperou.

“De forma geral, não me detenho muito nessas recordações. Passados tantos anos, já perderam o poder de me afetar: o tempo neutralizou-as. Só puderam recobrar vida[s] deformadas, irreconhecíveis e ganhando, no decorrer de sua transformação, um sentido obsceno.”

História do olho, p. 91

os prazeres da carne.

“Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama “os prazeres da carne”, justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por “sujo”. Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado…”

História do olho, p. 58

via láctea

“Deitei-me então na grama, o crânio apoiado numa pedra lisa e os olhos abertos sobre a Via Láctea, estranho rombo de esperma astral e de urina celeste cavado na caixa craniana das constelações.”

História do olho, p. 57

história do olho

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História do olho / Georges Bataille.
- São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
135 páginas

Esse livro foi recomendação da Renata.