“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
6 Out
“uma pitada de loucura aumenta o prazer da vida. veja o caso do cinema. você vai lá, assenta-se e fica vendo um jogo de luzes coloridas projetando numa tela. você sabe que aquilo tudo é uma mentira. e, não, obstante, você treme de medo, tem taquicardia, pressão arterial alta, sua de medo, ri, chora… é um surto de loucura. você está tomando imagens como se fossem realidade. mas, se você não se entregasse por duas horas a essa loucura, o cinema seria tão emocionante quanto ler uma lista telefônica. passada as duas horas as luzes se acendem, você sai da loucura e caminha solidamente de volta para a realidade.
quem não está louco é quem desconfia dos seus pensamentos. sabe que a cabeça é enganosa: sessão de cinema”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 33
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