“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
14 Out
“remember when i said i wish i had
a little paper box to keep you in
so i could see you everyday and night?”
6 Out
“os médicos disseram-me que consultei os livros errados. falaram que melhor teria sido que eu tivesse lido livros de poesia. “saudade”, explicaram-me, não é doença de olho.”
sobre o tempo e a eternaidade, p.65
6 Out
“ah, essa palavrinha tão abusada: “lindo”. o que ela quer dizer? ela quer dizer que a coisa a que damos o nome de “lindo” faz amor com a nossa alma. quando dizemos que algo é lindo, estamos assim, confessando como somos por dentro…”
sobre o tempo e a eternaidade, p.63
6 Out
“nas cavernas da memória, entretanto, só são guardadas imagens que doem ao ser lembradas. são imagens de saudade. imagens de saudade são pedaços do nosso próprio corpo, que o tempo levou. tudo o que se ama transforma-se em parte da gente.”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 56
6 Out
“o que caracteriza o soufflé não é a coisa do que ele é feito, mas uma substância etérea, pneumática, que entra na composição de todos eles. (…) o nome soufflé vem do francês. soufflé quer dizer “sopro”. a alma do soufflé é o ar: daí as suas qualidades são pneumáticas, espirituais, pois sopro, vento e espírito, etimologicamente, são a mesma coisa.”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 44
6 Out
“se não há nada a ser feito, pelo menos que o sono seja tranqüilo e que os sonhos sejam suaves.”
6 Out
“a sociologia deu o nome de “outros relevantes” às pessoas que eu levo em consideração ao agir. esses outros são a platéia diante da qual eu represento o meu número de teatro, e cujo aplauso eu busco e cuja vaia eu temo.”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 34
6 Out
“uma pitada de loucura aumenta o prazer da vida. veja o caso do cinema. você vai lá, assenta-se e fica vendo um jogo de luzes coloridas projetando numa tela. você sabe que aquilo tudo é uma mentira. e, não, obstante, você treme de medo, tem taquicardia, pressão arterial alta, sua de medo, ri, chora… é um surto de loucura. você está tomando imagens como se fossem realidade. mas, se você não se entregasse por duas horas a essa loucura, o cinema seria tão emocionante quanto ler uma lista telefônica. passada as duas horas as luzes se acendem, você sai da loucura e caminha solidamente de volta para a realidade.
quem não está louco é quem desconfia dos seus pensamentos. sabe que a cabeça é enganosa: sessão de cinema”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 33
6 Out
“o tolo faz coisas sem parar, e tudo permanece por fazer. o sábio nada faz para que tudo o que deve ser feito se faça.”
sobre o tempo e a eternaidade, p. 22
6 Out
o que caracteriza um problema é a possibilidade de solução. você sabe que, com astúcia e paciência, você oide desfazer o nó. se não tem solução não é problema.
assim é a adolescência: ela não é problema pela simples razão de que, por mais que você pense, não há solução.
sobre o tempo e a eternaidade, p. 22
2 Out
cheiro de maresia, entrar na cama quando os lençóis ainda estão frios e mexer as pernas, espreguiçar, fé que não teologa, vestir roupa que acabou de ser passada, balançar na rede, cheiro de café recém-passado, dar uma estraladinha nas costas.
1 Out
você movia exércitos, eclesiásticos, nobrezas e meus pensamentos com a ponta de seus dedos.