era abril. início de outono. a época em que mais cometia vícios auto-destrutivos. de químicas a pessoas erradas, era o tempo dos pequenos suicídios. dos escapes. fugere urbem.

fazia 3 meses que eu trabalhava longe e não estava acostumado. no trânsito caótico, foi também a época que mais refleti sobre o que queria para vida. e você estava lá. era a liberdade. era aquele poema do manuel bandeira:

“vamos viver no nordeste, anarina.
deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

aqui faz muito calor.
no nordeste faz calor também.
mas lá tem brisa:
vamos viver de brisa, anarina.”

naquela época, eu queria fugir do calor daqui e sentir os calores de outros lugares e amores.