“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
29 Abr
costumo chamar de lar, os lugares onde o meu coração está.
24 Abr

e mesmo que a gente volte de mãos vazias, nós ainda teremos as histórias das cicatrizes das batalhas, dos navios naufragados e dos corações feridos. dos ossos quebrados e das melhores amizades. life is only as good as the memories we make.
22 Abr
um momento confuso, tudo acontece ao mesmo tempo e são tantas coisas e casos que não sei de que tempestade trarei palavras de conforto, se não estou embaixo de um guarda-chuva.
10 Abr
era abril. início de outono. a época em que mais cometia vícios auto-destrutivos. de químicas a pessoas erradas, era o tempo dos pequenos suicídios. dos escapes. fugere urbem.
fazia 3 meses que eu trabalhava longe e não estava acostumado. no trânsito caótico, foi também a época que mais refleti sobre o que queria para vida. e você estava lá. era a liberdade. era aquele poema do manuel bandeira:
“vamos viver no nordeste, anarina.
deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.aqui faz muito calor.
no nordeste faz calor também.
mas lá tem brisa:
vamos viver de brisa, anarina.”
naquela época, eu queria fugir do calor daqui e sentir os calores de outros lugares e amores.
1 Abr
“‘come to bed’, dizia você, a partir das três horas, e eu respondia ‘i am coming’, e você: ‘don’t be coming, come!’”
carta a d., p. 27
1 Abr
“tive muitas dificuldades com o amor (ao qual sartre dedicou umas trinta páginas de o ser e o nada), pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.”
carta a d., p. 25
1 Abr
“tive muitas dificuldades com o amor (ao qual sartre dedicou umas trinta páginas de o ser e o nada), pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.”
carta a d., p. 25
1 Abr
“você havia me dado a possibilidade de escapar de mim mesmo e de me instalar num outro lugar, do qual você me trouxera a notícia. com você eu podia deixar de férias a minha realidade.”
carta a d., p. 20
1 Abr
“se você se une a alguém para a vida inteira, os dois estão pondo em comum sua vida e deixarão de fazer o que divide ou contraria a união. a construção do casal é um projeto comum aos dois, e vocês nunca terminarão de confirmá-lo, de adaptá-lo e de reorientá-lo em função das situações que forem mudando. nós seremos o que fizermos juntos.”
carta a d., p. 18
1 Abr
“eu tinha objeções de princípio, ideológicas. para mim o casamento era uma instituição burguesa; eu considerava que ele codificava juridicamente e socializava uma relação que, sendo amor, ligava duas pessoas no que elas tinham de menos social. a relação jurídica tinha a tendência, e até mesmo a missão, de se tornar autônoma no que se refere à experiência e aos sentimentos dos parceiros.”
“eu devia ter percebido que não existia, para você, nenhuma relação com uma legalização da nossa união. ela deveria significar tão-somente que nós estávamos juntos pra valer, que eu estava pronto pra concluir com você aquele pacto para a vida inteira, pelo qual um prometia ao outro a sua lealdade, a sua devoção e a sua ternura.”
carta a d., p. 18 e 21
1 Abr
“por mais que tivéssemos sido profundamente diferentes, mas eu não deixava de sentir que alguma coisa fundamental era comum a nós, um tipo de ferida original - há pouco eu falava de “experiência fundadora”: a experiência da insegurança. […] para ambos, ela significava que não tínhamos um lugar assegurado no mundo, e só teríamos aquele que fizéssemos para nós.”
“e precisávamos criar juntos, um pelo outro, o lugar no mundo que originalmente nos tinha sido negado. para isso, no entanto, seria necessário que o nosso amor fosse também um pacto para vida inteira.”
carta a d., p. 13 e 15
1 Abr
“você mantinha, em relação a tudo o que é british, uma distância crítica que não excluía a cumplicidade com o que lhe é familiar. eu dizia que você era uma export only, ou seja, um desses produtos reservados só para exportação, não encontráveis nem na própria grã-bretanha.”
carta a d., p.11
1 Abr
“o que me cativava é que você me dava acesso a outro mundo. […] esse mundo me encantava. eu podia escapar ao entrar nele, sem obrigações nem pertencimento. com você, eu estava em outro lugar; um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo.”
carta a d., p. 10
1 Abr
“compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. ”
carta a d., p. 9
1 Abr
“por que você está tão pouco presente no que escrevi, se a nossa união é o que existe de mais importante na minha vida? […] ela permitiu que nos tornássemos o que somos; um pelo outro, um para o outro. eu lhe escrevo para entender o que vivi, o que vivemos juntos.”
carta a d., p. 5-6