vejo o subúrbio crescer e mudar quando tento enxergar a calçada que eu andava sem pisar nas linhas indo para a escola. e agora que foi reformada, o caminho que a gente tinha decorado para não pisar nos rejuntes e nas rachaduras dos pisos não existem mais.

mas quase não enxergo. volto do trabalho. é noite. e não me preocupo mais em pisar ou não nas linhas. vivo correndo e não presto atenção para o chão. nem para o cheiro do tempero do feijão dos jantares que sai pela janela das casas e escapole para a rua. para o portão marrom que eu passava correndo por causa do buldogue que latia. agora nem reparo se ainda há buldogue naquele portão. quando a árvore de jasmim florescia e eu ia andar no meio da rua, porque odiava aquele cheiro de jasmim.

mas agora é a época de floração do jasmim e é esse cheiro que faz lembrar a rua de cima que ficava na minha infância.