“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
31 Mar

carta a d. - história de um amor / andré gorz
- são paulo: annablume: cosac naify, 2008.
80 páginas.
30 Mar
depois de um longo de tenebroso inverno, sem literaturas que valessem a pena, estou terminando de ler um ótimo livro, aquele que eu escrevei no penúltimo post. por isso, também migrei os arquivos do meu outro blog “livros de cabeceira” para cá. ele pode ser acessado pelo link aí no menu de cima.
30 Mar
“— Finado Severino,
quando passares em Jordão
e o demônios te atalharem
perguntando o que é que levas…
— Dize que levas somente
coisas de não:
fome, sede, privação.”
Morte e Vida Severina,
30 Mar
“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte Severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).”
Morte e Vida Severina,
30 Mar

Morte e Vida Severina / João Cabral de Melo Neto
- São Paulo: Nova Fronteira, 2006.
167 páginas
Depois de ler “Poeta e a Mídia - Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto”, onde são apresentadas comparações entre estes dois autores, fiquei instigado para ler alguma coisa de João Cabral de Melo Neto. Drummond é um dos meus preferidos, vou tentar entender o seu oposto: o lado mais racional e estético da poesia brasileira. E começo pelo clássico: Morte e Vida Severina.Morte e Vida Severina.
30 Mar
“Isto não deve espantar ninguém: os ianques, esses primeiros mecânicos do Mundo, são engenheiros, como os italianos são músicos e os alemães metafísicos - de nascença.”
Da terra à lua,
30 Mar

Da Terra à Lua / Julio Verne
- São Paulo: Melhoramentos, 2005.
126 páginas.
30 Mar
“Disseque suas motivações mais profundamente! Achará que jamais alguém fez algo totamente para os outros. Todas as ações são autodirigidas, todo serviço é auto-serviço, todo amor é amor-próprio. […] Parece surpreso com esse comentário? Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais profundamente e descobrirá que não ama a eles: ama isso sim as sensações agradáveis que tal amor produz em você! Ama o desejo, não o desejado.”
Quando Nietzsche chorou, p. 151
30 Mar
“Em outra seção deste livro, ele diz que sentimos ódio por quem devassa nossos segredos e nos flagra com sentimentos meigos.”
Quando Nietzsche chorou, p. 122
30 Mar
“Não, eu não estava pensando em escrever livros, mas em ler estes livros. Oh! A incessante labuta do intelectual, despejando todo este conhecimento para dentro do cérebro pela abertura de três milímetros da íris.”
Quando Nietzsche chorou, p. 58
30 Mar
“Não obstante, havia nele algo de extraordinariamente irresistível. As primeiras palavras que me disse foram: “De que estrelas caímos aqui um para o outro?” Então, nós três começamos a conversar. E que conversa!”
Quando Nietzsche chorou, p. 33
30 Mar
“Em sua filosofia, é atraído pelos gregos pré-socráticos, especialmente pelo conceito deles de agonis - a crença de que desenvolvemos dons naturais somente através da luta -, e desconfia profundamente da motivação de quem quer que renuncie à luta e alegue ser altruísta. Seu mentor nesses assuntos foi Schopenhauer. Ninguém deseja, acredita ele, ajudar os outros; pelo contrário, as pessoas desejam apenas dominar e aumentar seu próprio poder.”
Quando Nietzsche chorou, p. 30
30 Mar
“Reduzi meus deveres a apenas um: perpetuar a minha liberdade. O casamento e seu séquito de possessão e ciúme escravizam o espírito. Eles jamais me dominarão. Espero, doutor Breuer, que chegue o tempo em que nem o homem, nem a mulher sejam tiranizados pelas fraquezas mútuas. ”
Quando Nietzsche chorou, p. 23
30 Mar

Quando Nietzche chorou / Irvin D. Yalom.
- São Paulo: Ediouro, 2003.
407 páginas
30 Mar
“De forma geral, não me detenho muito nessas recordações. Passados tantos anos, já perderam o poder de me afetar: o tempo neutralizou-as. Só puderam recobrar vida[s] deformadas, irreconhecíveis e ganhando, no decorrer de sua transformação, um sentido obsceno.”
História do olho, p. 91
30 Mar
“Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama “os prazeres da carne”, justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por “sujo”. Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado…”
História do olho, p. 58
30 Mar
“Deitei-me então na grama, o crânio apoiado numa pedra lisa e os olhos abertos sobre a Via Láctea, estranho rombo de esperma astral e de urina celeste cavado na caixa craniana das constelações.”
História do olho, p. 57
30 Mar

História do olho / Georges Bataille.
- São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
135 páginas
Esse livro foi recomendação da Renata.
30 Mar
“O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é o descobrir o que as pessoas escondem, e sim entender o que elas mostram. Mas Chang está morto. Existe algo mais íntimo para exibir ao mundo do que as entranhas? Existe algo tão obsceno?”
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 13
30 Mar
“Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas.”
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 16.
26 Mar
sou designer por formação e publicitário por profissão, acho que esse é o problema.
são domínios que aguçam os sentidos visuais e plásticos das coisas. tem um certo charme e glamour, concordo!, mas ao mesmo tempo me faz perder alguma profundidade para sentimentos, comportamentos e melhores julgamentos. me falta ser humano.
e ser humano para mim é poesia.
é ler vida em parágrafos que outras pessoas escreveram e ver que no fundo os sentimentos são universais. é saber compreender a pessoa que não respondeu o seu desejo de bom dia, a que não segurou a porta do elevador, a que não te deu passagem no trânsito, a que não sorriu para você ao cruzar pela calçada, a que não disse obrigado, a quarta-feira que se perdeu em desconcertos.
estou em uma fase que me sinto numa encruzilhada: eu quero as ambições e turbulências de um mundo inteiro, mas preciso das amenidades e sabores que fazem felizes o presente. e definitivamente esses dois mundos, no meu mundo, são conjuntos que não têm intersecção.
22 Mar

“você está para fazer oitenta e dois anos. encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável.já faz cinqüenta anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. de novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”
esse é o primeiro parágrafo do último livro do andré gorz, ‘carta a d. - história de um amor’. é o livro que comecei a ler. outro dia, a marcelle disse que talvez eu estivesse perdendo a poesia por falta de leitura. e até esses dias estava procurando um livro que pudesse me trazer de volta. e carta a d. é lindo.
é um livro biográfico, de fatos verídicos. andré gorz é um militante da esquerda libertária que conhece a inglesa doreen e vivem juntos durante 60 anos. nesse meio tempo, a mulher dele é vítima de um erro médico que causa uma doença degenerativa. ele larga o jornalismo militante para cuidar dela. em março de 2006, vendo que ela está muito frágil e não há sinais de vencer a doença, ele escreve uma carta para ela. combinam de viver juntos em outro lugar. e essa foi a manchete do dia 23 de setembro de 2007 de todos os jornais, um dia depois do suicídio dos dois.
não sei se você consegue entender todo esse cenário, que é o que dá mais sensibilidade para a história. mas leia, eu quero alguém para conversar e tomar um café e mostrar as minhas empolgações em trechos sublinhados.
18 Mar
admiro as pessoas que conseguem ganhar dinheiro sem perder a sinceridade e a poesia. o meu conselho default para todo mundo que pergunta o que fazer, eu digo, é piegas, segue o coração. porra, o mínimo que a gente deveria se permitir é alguma felicidade.
mas agora a minha ambição está me comprando, e eu nem tô tão feliz assim.
10 Mar
vejo o subúrbio crescer e mudar quando tento enxergar a calçada que eu andava sem pisar nas linhas indo para a escola. e agora que foi reformada, o caminho que a gente tinha decorado para não pisar nos rejuntes e nas rachaduras dos pisos não existem mais.
mas quase não enxergo. volto do trabalho. é noite. e não me preocupo mais em pisar ou não nas linhas. vivo correndo e não presto atenção para o chão. nem para o cheiro do tempero do feijão dos jantares que sai pela janela das casas e escapole para a rua. para o portão marrom que eu passava correndo por causa do buldogue que latia. agora nem reparo se ainda há buldogue naquele portão. quando a árvore de jasmim florescia e eu ia andar no meio da rua, porque odiava aquele cheiro de jasmim.
mas agora é a época de floração do jasmim e é esse cheiro que faz lembrar a rua de cima que ficava na minha infância.
8 Mar

“eu não me importo com o carro que você dirige, onde você mora. se você conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém. se suas roupas estão na moda desse ano. se sua poupança é ilimitada. se você está na lista-a, lista-b ou nunca ouviu falar de listas de pessoas. eu só me importo com as palavras que voam da sua mente. elas são a única coisa verdadeiramente sua. a única coisa pela qual vou me lembrar de você. eu não vou me apaixonar por seus ossos e pele. eu não vou me apaixonar pelos lugares em que você esteve. eu não vou me apaixonar com nada que não sejam as palavras que voam da sua extraordinária mente.”
(internet, de algum site que infelizmente eu perdi o endereço)