tem dias que não tenho voltado para casa. e quando um dia encontra o outro, não sinto o correr das horas e tudo parece uma coisa só e uma semana se passou e não lembro se o que aconteceu foi hoje de manhã, anteontem ou quarta-feira. e nessa correria não há tempo, nem sanidade, para pensar nas sutilezas dos dias, no relógio biológico da poesia cotidiana.

às vezes, penso se isso é necessário. e de vez em quando, me permito passar por alguns esforços, xavecos mal-sucedidos, dores e tropeços para tentar conquistar algumas coisas. mas será que precisa? no mundo inventado, a gente faz o que tem vontade e o que faz bem. não fala com quem não gosta. e o que não quer comer, deixa no cantinho do prato, não pega coletivos em horários caóticos: a gente faz a vida no nosso tempo e vai mais sossegado. ainda lê um livro na viagem. no mundo inventado, o único lugar onde a gente se perde são nos parágrafos compridos demais enquanto a gente se pega divagando em outras belezas.

será que precisa?