um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

Novembro, 2007

penso que tenho trabalhado demais

tem dias que não tenho voltado para casa. e quando um dia encontra o outro, não sinto o correr das horas e tudo parece uma coisa só e uma semana se passou e não lembro se o que aconteceu foi hoje de manhã, anteontem ou quarta-feira. e nessa correria não há tempo, nem sanidade, para pensar nas sutilezas dos dias, no relógio biológico da poesia cotidiana.

às vezes, penso se isso é necessário. e de vez em quando, me permito passar por alguns esforços, xavecos mal-sucedidos, dores e tropeços para tentar conquistar algumas coisas. mas será que precisa? no mundo inventado, a gente faz o que tem vontade e o que faz bem. não fala com quem não gosta. e o que não quer comer, deixa no cantinho do prato, não pega coletivos em horários caóticos: a gente faz a vida no nosso tempo e vai mais sossegado. ainda lê um livro na viagem. no mundo inventado, o único lugar onde a gente se perde são nos parágrafos compridos demais enquanto a gente se pega divagando em outras belezas.

será que precisa?

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  • ano novo, ano velho

    assim como drummond, penso que nossos antepassados em algum dia resolveram dividir o tempo (em dias, meses, anos, etc…) para não perder a esperança que amanhã, mês que vem ou o próximo ano será melhor. então, os ânimos e energias se renovam e começa tudo novo de novo. novos erros, novos acertos. amores e desconcertos. de dois mil e sete eu já cansei e estou praticamente fechando para balanço.

    sinto energias e sorrisos gigantes para dois mil e oito!

    chá de jasmim

    essa sensação de incompletude é irritante.

    quando a bateria do celular fica no último nível, a do ipod no vermelho, o indicador da gasolina piscando e, principalmente, quando algumas expectativas não acontecem. e isso causa uma certa angústia para todos os pequenos defeitos que não repararia se fosse um dia normal (com doses comedidas de quintanares). e a gente se perde e as ruas aparecem na contra-mão e o semáforo fica amarelo e avanço mesmo assim. a tv indica tempo nublado com pancadas de chuva e mau humorzinho para todo o dia.

    mas só chove na hora de sair.

    e fico com os tênis, meias, barras da calça e quereres enxarcados em um dia que tudo o que mais desejo é ficar em casa, embaixo dos cobertores, assistindo seriados da tv a cabo, segurando uma caneca de chá quente com as duas mãos para aquecer todas as coisas que as enxurradas levaram hoje.

    canção do dia de sempre

    “tão bom viver dia a dia…
    a vida assim, jamais cansa…

    viver tão só de momentos
    como estas nuvens no céu…

    e só ganhar, toda a vida,
    inexperiência… esperança…

    e a rosa louca dos ventos
    presa à copa do chapéu.

    nunca dês um nome a um rio:
    sempre é outro rio a passar.

    nada jamais continua,
    tudo vai recomeçar!

    e sem nenhuma lembrança
    das outras vezes perdidas,
    atiro a rosa do sonho
    nas tuas mãos distraídas…”

    (mário quintana)

    um quintanar para viver-viver em todos os dias.

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  • 1300

    1300 é um asteróide.

    que ainda não enxergo a olho nu, 1300 fica no cinturão de asteróides, entre marte, quarta-feira e júpiter. escondido em nuvens cinzentas, me manda saudações, abraços e beijinhos com sabor de cookies.

    1300 descreve uma órbita aproximando-se periodicamente do meu mundo. sua força gravitacional me tira do chão, mas ao mesmo tempo me traz um milhão de dúvidas por estarmos tão perto e tão distantes. muitos pensamentos ocorrem na minha cabeça e ainda não sei sob quais ventos poderei enfrentar meu destino ao seu lado, mas sei que será muito alto e intenso.

    vou te caçar, asteróide. com as redes de pegar borboletas, você me arrasta pelo espaço igual quando se caçam estrelas cadentes. tenho um sentimento que vou voar mais alto que o céu e não estarei mais sozinho nessa viagem. e isto é apenas o começo.

    te espero.