um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

Março, 2007

“honestamente, se você não estiver disposto a parecer estúpido, você não merece estar apaixonado.”

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  • das coisas mínimas.

    o hélio costumava dizer que as pessoas não casam com seus pares apaixonados, mas com aquelas que se completam de alguma forma que não conseguem explicar.

    que queremos para sempre aquelas que se preocupam com a gente pelas coisas mínimas. as diferenças. os detalhes. as que ligam falando que eu me esqueci da blusa pendurada no encosto da cadeira e está frio lá fora. as que olham nos olhos e disparam sorrisos mesmo quando se está na chuva e não há toldos para se esconder. não aquelas que engolimos em grandes pedaços e explodem em sentimentos pelo peito, que é bom também, mas não, não é isso.

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  • altos-cúmulos.

    no intervalo do espetáculo.
    a barraca de algodão-doce.
    queridos são
    os mais coloridos.
    os que deixam os ânimos mais alegres.

    algodão-doce se escolhe pelas cores. todos eles têm o mesmo sabor:
    sabor de nuvem.

    [ps: editado pela professora ‘fodona’ de teoria literária da unicamp da lily para o deixar o leitor interpretar livremente.]

    “Têm sido assim meus dias. Sou mais feliz que 97,6% da humanidade, nas contas do professor Schianberg. Faço parte de uma ínfima minoria, integrada por monges trapistas, alguns matemáticos, noviças abobadas e uns poucos artistas, gente conservada na calda da mansidão à custa de poesia ou barbitúricos. Um clube de dementes de categorias variadas, malucos de diversos calibres. Gente esquisita, que vive alheia nas frestas da realidade. Só assim conseguem entregar-se por inteiro àquilo que consagraram como objeto de culto e devoção. Para viver num estado de excitação constante, confinados num território particular, incandescente, velado aos demais. Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno. É o mais próximo da felicidade que podemos experimentar, sustenta Schianberg.
    Não sei que nome você daria a isso.
    Bem, não importa muito, chame do que quiser.

    Eu chamo de amor.”

    Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, p. 229