“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”
28 Dez
inevitável. afinal, apesar dos desastres naturais e dos desastres humanos mesmo, políticos tresloucados e um presidente da câmara chamado severino entre outras e demais cagadas, 2005 foi um ano bom. para mim.
(emprego)
no final do ano passado, fiz um monte de entrevistas. me chamaram em três lugares. a escolha foi difícil, mas fui para o lugar certo. estou no emprego que eu consegui ficar mais tempo (um ano!) e nem dói tanto acordar cedo todos os dias para ir trabalhar. adoro o que eu faço e as pessoas de lá.
(pessoas boas)
falando em gente, este ano conheci um monte de pessoas gostosas de viver: amigos do peito, mães de consideração, companhia para cigarro, companheiros para vida. gente que eu não conheci tão afundo assim, mas pretendo. princesas perdidas em cidades distantes. irmãos de abraço. conheci pessoas para se admirar. para querer ser. muita gente também se afastou, eu também me afastei - me falaram para querer bem só quem me quer.
(pessoas não tão boas assim)
criei alguns inimigos. peço desculpas pelas coisas que podem ter magoado, ferido sentimentos. eu desejo sorte e novas oportunidades. e para os que não merecem tanto assim, desejo quintanilhas:
(leitura)
“todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão.
eu passarinho!”
e li coisas muito legais - desculpe, não tive muito tempo para escrever sobre - mário quintana, garcia marques, algumas coisas do cortázar, foram algumas dezenas de horas em ônibus de viagem e esperas que iam se preenchendo com letras e ambientes imaginários.
(viagens)
pode se dizer que viajei pra caralho. conheci cidades que eu não sabia que existiam (são um mundo a dentro). e nessas cidades conheci muita gente bacana. ares diferentes, horizontes feitos com outras linhas. x-burguer com presunto! e farmácias que vendem isqueiros. (surreal, né?) numa dessas viagens, no dia 25 de setembro eu vi weezer em curitiba, era 1 hora da manhã e eu estava meio embriagado de campari, eles pareciam bonequinhos de brinquedo, as luzes coloridas, encontrei gente conhecida de tantos lugares, foi perfeito. e no dia seguinte, conheci a tai, minha namorada.
(felicidade!)
mas trocando em miúdos: 2005 foi um ano muito bom e que venha o bissexto 2006, com um dia a mais de lambuja, muito mais sonhos.
14 Dez
gosto de viajar pela madrugada, quando não se consegue enxergar a monotonia da mesma estrada de infinitas horas para os olhos e psicológico. ligo os fones de ouvido e durmo já nas primeiras músicas, antes de sair de são paulo. e sempre acordo do mesmo lugar: vendo os tubos de paradas de ônibus naquela avenida grande que não sei o nome com o dia amanhecendo e o frio.gosto de viajar assim, quando não é dia de nada, não tem ponte, nem feriados emendados. há poucos lugares ocupados e a gente joga as pernas na poltrona ao lado para não dar mau jeito.
viajar é como fazer a sesta depois do almoço, é um descanso, um respiro entre as horas quotidianas. é sair da rotina, respirar novos ares. é pessoas ficarem olhando estranho estrangeiros. é levar camisetas de frio e fazer o maior calor tropical terrestre, levar bermudas e nevar. esquecer o fio dental, shampoo, barbeador e lembrar só lá.
minha irmã diz que sabe quando eu fui viajar quando de noite vai escovar os dentes e não encontra a minha escova. viajar é levar a escova de dentes para passear.