um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

Junho, 2005

ela quer ser gabriela

mas não pode, porque gabriela são realidades oníricas. são esperanças infindáveis em pessoas como a gente. gabriela é diferente, porque não segue personagens, os sóis e luas e borboletas amarelas orbitam ao seu redor.

não pode ser gabriela, porque seus sonhos não são sinceros. e gabriela caminha com suavidade em patins de nuvens.

gabriela é solitária numa cidade de 16 milhões de pessoas. porque os trânsitos são caóticos e não deixam passar pessoas que valham a pena se apaixonar. mas gabriela não se desespera, gabriela “são esperanças infindáveis em pessoas como a gente…”

cafe de flore

começa assim, começa segunda-feira. começa quando as aulas da faculdade terminam e saio do trabalho às seis. começa quando chove mais ou menos e o frio é o juniano. e depois que me despeço no elevador, lá fora, no outro lado da rua, uma banda de jazz explode acordes para fora do teatro - inusitadamente: é programação de inverno.

aquelas luzes laranjas da rua maria antônia e da consolação. as garoas reluzem calores. acendo meu cigarro e deixo as pequenas gotas irem me resfriando. penso em corações flechados subindo a avenida consolação.

no cruzamento com a avenida paulista, não me lembrava, agora a maioria dos postes de luz agora são de luzes quentes. as pessoas passam correndo, fugindo do frio e chuva. e apesar de querer ir embora daqui, são paulo é a mais aconchegante das cidades. e um dia inteiro de trabalho voltando por entre pessoas, pelas luzes e reflexos, por cima dos respiros do metrô, um ar quente que parece carinho.

caminho com fones de ouvidos e cachecóis e acaba em um clarão, descendo as escadas do metrô.

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