um lugar

“com você, eu estava em outro lugar, um lugar estrangeiro, estrangeiro a mim mesmo…”

não se mate

carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

o amor, carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

entretanto você caminha
melancólico e vertical.
você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
o amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

carlos drummond de andrade

fragmentos

“abraço é querer ser um quando se é dois.”

meu novo blog com marina faria. fragmentos, a partir de roland barthes.

espero a visita de vocês!

heartbeat.

one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then awayboth under influence
we had divine scent
to know what to say
mind is a razor blade

to call for hands of above
to lean on
wouldn’t be good enough
for me, no

one night of magic rush
the start a simple touch
one night to push and scream
and then relief

ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love

to call for hands of above
to lean on
wouldn’t be good enough
for me, no

to call for hands of above
to lean on
wouldn’t be good enough

and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeth
sharing different heartbeats
in one night

to call for hands of above
to lean on
wouldn’t be good enough
for me, no

a love supreme

as vezes a vida me leva a crer que o amor é como aquele jazz que você gosta.

não segue as notas. é feito de encontros ao acaso. de espontaneidades dissonantes. de apertos de mãos. todo assim, meio desejeitadinho e corrido. as claves e semínimas anotadas com a caligrafia malfeita em guardanapos parecem cair da mesa. mas com o tempo e algumas afinidades, não é preciso mais anotar. porque a gente não consegue mais esquecer. aí, as notas dançam entrando no compasso e o mundo parece um lugar mais confortável para se estar.

para te afagar.

se a chuva abate suas pintinhas.
desenho parar de chover.
tiro as nuvens do caminho com soprinhos.
e com a ponta do meu cigarro
acendo suas estrelas favoritas.

prefácio

isto

dizem que finjo ou minto
tudo o que escrevo. não
eu simplesmente sinto
com imaginação.
não uso o coração

(fernando pessoa)

“dear karen,

if you’re reading this, it means i actually worked up the courage to mail it. so, good for me. you don’t know me very well but you get me started, i have a tendency to go on and on about how hard the writing is for me. but this… this is the hardest thing i’ve ever had to write. there’s no easy way to say this, so i’ll just say it.

i met someone.

it was an accident. i wasn’t looking for it. it wasn’t on the make. it was a perfect storm. she said one thing. i said another. next thing i knew, i wanted to spend the rest of my life in the middle of that conversation. now there’s this feeling in my gut. she might be the one. she’s completely nuts… in a way that makes me smile — highly neurotic. a great deal of maintenance required.

she is you, karen.

that’s the good news. the bad is that i don’t know how to be with you right now. and it scares the shit out of me. because if i’m not with you right now, i have this feeling we’ll get lost out there. it’s a big, bad world full of twists and turns, and people have a way of blinking and missing the moment… the moment that could’ve changed everything.

i don’t know what’s going on with us, and i can’t tell you why you should waste a leap of faith on the likes of me… but, damn, you smell good — like home. and you make excellent coffee. that’s got to count for something, right?

call me.

unfaithfully yours,
hank moody.”

pílulas da identidade secreta.

sabe, e depois de tanto armar e desamar, ando sentindo falta das borboletas no estômago.
10:15 AM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

o cultivo é simples: regar todos os dias pela manhã e pintar com sol quando chove, colecionando abraços e pétalas dos bem-me-queres.
1:58 PM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

para amar. para viver. para chacoalhar. para dançar o rock. para comer poesia. para pintar quadros. para criar novos mundos. para você.
2:01 PM Aug 24th, 2008 from TwitterFox

você é a pessoa favorita de alguém?
4:56 AM Aug 26th, 2008 from TwitterFox

se soubesse onde te encontrar, escreveria um haikai sobre a falta que você me faz.
1:58 PM Aug 26th, 2008 from TwitterFox

elaboro engenharias do mundo fantástico, leio livros, compro os mesmos discos - para parecer contigo.
10:01 AM Aug 30th, 2008 from web

qual é o sabor do seu sorvete favorito?
9:42 PM Aug 31st, 2008 from web

sabor de inverno com calda de caramelo.
9:43 PM Aug 31st, 2008 from web

quando você me ajuda, volto a acreditar que é possível.
11:39 AM Sep 14th, 2008 from TwitterFox

gostaria de ser quem você pensa quando estou eu pensando em você.
11:41 AM Sep 14th, 2008 from TwitterFox

descobri que minha mania de começar e não terminar trabalhos, projetos e amores é culpa do meu ascendente: áries.
10:36 PM Oct 17th, 2008 from TwitterFox

gosto quando vou passando e os semáforos vão abrindo. parece que o mundo está a meu favor.
9:40 AM Oct 18th, 2008 from TwitterFox

às vezes penso se estivéssemos juntos, talvez n precisasse de mais ngm. abandonaria do meu coração as ocupações menores e o encheria de vc.
3:22 PM Nov 3rd, 2008 from web

e esse sou eu! pulando de bar em bar, de amor em amor, de trabalho em trabalho. sempre achando que estou desperdiçando a vida.
9:26 AM Nov 14th, 2008 from TwitterFox

paixão é combustível, amor é anestésico.
11:46 AM Nov 26th, 2008 from TwitterFox

teu beijo tem gosto de férias de verão.
7:11 AM Dec 15th, 2008 from TwitterFox

aurora.

a janela do box do banheiro tem face para o leste e  lembro bem de quando era criança tomando banho de manhã - a água caia do chuveiro refletindo a luz da aurora e criava, só para mim, uma porção de prismas coloridos e arcos-íris particulares.

não conhecia os conceitos de física ótica e aquilo despertava um sentimento mágico que foi se perdendo. naturalmente. como agora, cada vez menos tenho prestado atenção nos detalhes coloridos do cotidiano. não tenho tido momentos epifânicos para escrever sobre. a vida tem se mostrado bem mais objetiva e menos poética. naturalmente. mas decidi que esse ano as coisas mudarão.

vou pedir receitas novas para minhas lentes e tomar banho quando é cedo e o sol está nascendo.

a litter paper box

“remember when i said i wish i had
a little paper box to keep you in
so i could see you everyday and night?”

cheiro de maresia, entrar na cama quando os lençóis ainda estão frios e mexer as pernas, espreguiçar, fé que não teologa, vestir roupa que acabou de ser passada,  balançar na rede, cheiro de café recém-passado, dar uma estraladinha nas costas.

da primeira vez que te vi

você movia exércitos, eclesiásticos, nobrezas e meus pensamentos com a ponta de seus dedos.

pílulas urbanas.

tinha pensamentos bons quando passava pelas ruas e calçadas e avenidas e os semáforos iam ficando verde e parecia que todo universo conspirava a seu favor.

asclepias umbellata

Nagoya

quando penso nos dias em que vivi meio mundo para lá ainda sinto belisquinhos de saudades das cidades do futuro.asclepias umbellata planta da família das asclepiadáceas.

nome popular: saudade.

porque quero tudo

“porque eu amo infinitamente o finito,
porque eu desejo impossivelmente o possível,
porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
ou até se não puder ser.”

(fernando pessoa)

quintanilhas

ainda consigo te ouvir lá no fundo, bem baixinho, passarinho.
ainda me atormenta quando já é quase de dia e você vem e pia.
lembrar de você ainda são machucados com casquinha.

mas assim como as aves,
é só chacoalhar a cabeça que você vai embora.
pra você passar e “eu passarinho”.

reciclagem

“vocês estão sempre procurando emoções já experimentadas, do mesmo modo que gostam de receber da lavanderia um par de calças velhas, que parecem novas para quem não as olhar com atenção. artistas são tintureiros, não se deixem enganar por eles. as verdadeiras obras de artes moderna não são feitas por artistas, mas por homens, simplesmente.

para me deixar entrar

não importou se o mundo ao redor estava caindo: o tempo não parou para eu descer. o mundo continuou a girar, os velhinhos continuaram acordando cedo para passear seus cachorros, os pingados na padaria continuaram aquecendo os peitos gelados, as pequenas revoluções cotidianas permaneceram inabaladas e as cicatrizes criaram casquinhas e sararam.

quando amanheceu, o mundo foi se refazendo.

das werk

nesses últimos anos, uma vez por ano, a vida me leva e muda todos os meus planos. me faz nascer de novo com novas energias e vontades. e não é planejado. não é porque eu quero. é porque eu não consigo parar. eu não consigo permanecer, não consigo estar. talvez seja a ansiedade de querer o mundo inteiro agora. mas ninguém me ensinou que isso é impossível, aí uma vez por ano, eu tento. eu mudo.

coldwar transmissions

aqui é o rádio russo, chamando todos para casa.
os espiões foram capturados, eles disseram tudo.
agora todos conhecem os passos, os pontos fracos.
retornem para casa, destruam os vestígios: a guerra acabou.

você está do outro lado, guerra fria é meta-física.

sobre a efemeridade #01

songs

quando perguntado o que vai, o que fica,
o que enjoa, o que é todo-dia.

responde, relevância.

o que significa.

um sentimento all type

a.ca.len.tar (verbo transitivo) 1. aconchegar ao peito 2. embalar

não sabia o real significado desta palavra, mas sempre que lia era exatamente isso que eu sentia.

ela diz que sou muito impulsivo

talvez tenha um pouco de razão. quero muitas coisas e mudo todos os planos. minha vida é uma raíz com muitas ramificações, mas nenhuma consegue ser tão profunda que me prende forte ao chão. deixo crescerem um pouco, enjôo e crio outra pontinha para explorar. as vontades são os furacões que me arrancam da terra.

mas não conseguiria viver sem esses impulsos e paixões que surgem de uma hora para outra e somem efêmeros como vieram. a vida pronta me cansa. eu preciso de jardins para cultivar, amores para morrer-de e países para me perder.

one i love

falta tempo e tenho andado meio displicente com este blog.  estou com alguns novos projetos e amores. mas vocês podem acompanhar o que ando fazendo no meu twitter: @sushist.

follow-me (:

home sweet home

costumo chamar de lar, os lugares onde o meu coração está.

astoria

Navio pirata

e mesmo que a gente volte de mãos vazias, nós ainda teremos as histórias das cicatrizes das batalhas, dos navios naufragados e dos corações feridos. dos ossos quebrados e das melhores amizades. life is only as good as the memories we make.

raindrops

um momento confuso, tudo acontece ao mesmo tempo e são tantas coisas e casos que não sei de que tempestade trarei palavras de conforto, se não estou embaixo de um guarda-chuva.

2008. lembro de um tempo

era abril. início de outono. a época em que mais cometia vícios auto-destrutivos. de químicas a pessoas erradas, era o tempo dos pequenos suicídios. dos escapes. fugere urbem.

fazia 3 meses que eu trabalhava longe e não estava acostumado. no trânsito caótico, foi também a época que mais refleti sobre o que queria para vida. e você estava lá. era a liberdade. era aquele poema do manuel bandeira:

“vamos viver no nordeste, anarina.
deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

aqui faz muito calor.
no nordeste faz calor também.
mas lá tem brisa:
vamos viver de brisa, anarina.”

naquela época, eu queria fugir do calor daqui e sentir os calores de outros lugares e amores.

beloved

“tive muitas dificuldades com o amor (ao qual sartre dedicou umas trinta páginas de o ser e o nada), pois é impossível explicar filosoficamente por que amamos e queremos ser amados por determinada pessoa, excluindo todas as outras.”

carta a d., p. 25

livros de cabeceira

depois de um longo de tenebroso inverno, sem literaturas que valessem a pena, estou terminando de ler um ótimo livro, aquele que eu escrevei no penúltimo post. por isso, também migrei os arquivos do meu outro blog “livros de cabeceira” para cá. ele pode ser acessado pelo link aí no menu de cima.

livros de cabeceira

conjuntos dos naturais

sou designer por formação e publicitário por profissão, acho que esse é o problema.

são domínios que aguçam os sentidos visuais e plásticos das coisas. tem um certo charme e glamour, concordo!, mas ao mesmo tempo me faz perder alguma profundidade para sentimentos, comportamentos e melhores julgamentos. me falta ser humano.

e ser humano para mim é poesia.

é ler vida em parágrafos que outras pessoas escreveram e ver que no fundo os sentimentos são universais. é saber compreender a pessoa que não respondeu o seu desejo de bom dia, a que não segurou a porta do elevador, a que não te deu passagem no trânsito, a que não sorriu para você ao cruzar pela calçada, a que não disse obrigado, a quarta-feira que se perdeu em desconcertos.

estou em uma fase que me sinto numa encruzilhada: eu quero as ambições e turbulências de um mundo inteiro, mas preciso das amenidades e sabores que fazem felizes o presente. e definitivamente esses dois mundos, no meu mundo, são conjuntos que não têm intersecção.

um pacto de vida

André Gorz

“você está para fazer oitenta e dois anos. encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável.já faz cinqüenta anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. de novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.”

esse é o primeiro parágrafo do último livro do andré gorz, ‘carta a d. - história de um amor’. é o livro que comecei a ler. outro dia, a marcelle disse que talvez eu estivesse perdendo a poesia por falta de leitura. e até esses dias estava procurando um livro que pudesse me trazer de volta. e carta a d. é lindo.

é um livro biográfico, de fatos verídicos. andré gorz é um militante da esquerda libertária que conhece a inglesa doreen e vivem juntos durante 60 anos. nesse meio tempo, a mulher dele é vítima de um erro médico que causa uma doença degenerativa. ele larga o jornalismo militante para cuidar dela. em março de 2006, vendo que ela está muito frágil e não há sinais de vencer a doença, ele escreve uma carta para ela. combinam de viver juntos em outro lugar. e essa foi a manchete do dia 23 de setembro de 2007 de todos os jornais, um dia depois do suicídio dos dois.

não sei se você consegue entender todo esse cenário, que é o que dá mais sensibilidade para a história. mas leia, eu quero alguém para conversar e tomar um café e mostrar as minhas empolgações em trechos sublinhados.

casa de ferreiro

admiro as pessoas que conseguem ganhar dinheiro sem perder a sinceridade e a poesia. o meu conselho default para todo mundo que pergunta o que fazer, eu digo, é piegas, segue o coração. porra, o mínimo que a gente deveria se permitir é alguma felicidade.

mas agora a minha ambição está me comprando, e eu nem tô tão feliz assim.

a rua de cima

vejo o subúrbio crescer e mudar quando tento enxergar a calçada que eu andava sem pisar nas linhas indo para a escola. e agora que foi reformada, o caminho que a gente tinha decorado para não pisar nos rejuntes e nas rachaduras dos pisos não existem mais.

mas quase não enxergo. volto do trabalho. é noite. e não me preocupo mais em pisar ou não nas linhas. vivo correndo e não presto atenção para o chão. nem para o cheiro do tempero do feijão dos jantares que sai pela janela das casas e escapole para a rua. para o portão marrom que eu passava correndo por causa do buldogue que latia. agora nem reparo se ainda há buldogue naquele portão. quando a árvore de jasmim florescia e eu ia andar no meio da rua, porque odiava aquele cheiro de jasmim.

mas agora é a época de floração do jasmim e é esse cheiro que faz lembrar a rua de cima que ficava na minha infância.

escrevo para você

eu não me importo…

“eu não me importo com o carro que você dirige, onde você mora. se você conhece alguém que conhece alguém que conhece alguém. se suas roupas estão na moda desse ano. se sua poupança é ilimitada. se você está na lista-a, lista-b ou nunca ouviu falar de listas de pessoas. eu só me importo com as palavras que voam da sua mente. elas são a única coisa verdadeiramente sua. a única coisa pela qual vou me lembrar de você. eu não vou me apaixonar por seus ossos e pele. eu não vou me apaixonar pelos lugares em que você esteve. eu não vou me apaixonar com nada que não sejam as palavras que voam da sua extraordinária mente.”
(internet, de algum site que infelizmente eu perdi o endereço)

 

de cada dia

parecido com o casamento cristão, handfasting é um ritual celta em que o casal jura amor perfeito e fidelidade durante um ano e um dia. e como marido e mulher, se comprometem, vivem e se descobrem todos os dias, mas sem o compromisso dos para-sempres, dos até-que-a-morte-nos-separe ou de aguentar alguns dissabores de proto-relacionamentos que, em dias de sol e poesia, a gente não se permitiria. só se ainda houver amor. e se quiserem. então, os votos se renovam para outro handfasting. ou terminam.

é o ritual do comprometimento cotidiano.

ana

ana está desperta e sonha
pensando nas palavras do trabalho
bebendo sucos do verão

se preciso,
ana perde os ponteiros do relógio
para o tempo parar.
para conseguir observar os giramundos
desde ushuaia até o panamá.

um sorriso para o mar,
sua fortaleza. se alimenta de sol
diz, ana. sua língua fala água e sal

dou um abraço, ternura atenta
você devolve risadas fortes como quem habita a vida

sua boca umedece com sabores e beijos
e palavras bonitas.

alguma economia

quando ligo para te desejar bons sonhos e beijos,
não gosto quando você responde com:
- outro.

ops!

é, estou saindo de férias! e com tantas festas, comidas, bebidas e irresponsabilidades que fiz por esses dias, nem deu tempo para me dedicar a mensagem de final de ano com meus balanços de 2007 e dos votos para o ano que vem. bom, mais um furo de 2007. ainda bem que está acabando!

até 2008. sorte na vida!

rebecca

“o amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.”
(carlos drummond de andrade)

dos raros amores raros que possuo, rebecca é o lugar mais distante onde meu coração mora. fisicamente. são cinquenta e cinco quilômetros, um pedágio que se paga com dinheiro e um pedágio que se paga com suas maluquices. este último faz com que esta distância pareça uma eternidade e um lugar pouco confortável para se estabelecer um lar.

mas, passada essas barreiras, tudo fica bem e encontrá-la faz-me apaixonar a cada sorriso, a cada careta, a cada abraço e beijinho. seus carinhos me fazem voar e perder os sentidos. aí esqueço como isso tudo começou e então, penso em planos, calendários e se algum dia teremos algum futuro juntos. eu não sei onde seus devaneios a levarão, mas eu vou estar sempre no mesmo lugar. para você não esquecer o caminho quando querer voltar.

ela é maluca e faz vales e montanhas para os meus sentimentos.
creio que esse que seja o charme de rebecca.

vontade de ser mais

“toda esperança se tornou ação.
e a cada passo, me faço.
a cada olhar, mudo este lugar.
fechar os olhos é o fim do mundo.
entre você e eu, um mundo pra criar, vontade de ser mais.
entre hoje e amanhã, um mundo pra criar.”
(colligere)

tantas coisas me esperam

o que acontece é que todas as escolhas me escolhem em momentos epifânicos. como quando está de dia, mas as luzes da cidade estão acesas porque está chovendo e nublado e os pára-brisas parecem dançar ritmados com os jazzes que ouço de manhã. e quando olho para frente não enxergo a rua, o engarrafamento, os outros carros. vejo os lugares onde eu gostaria de estar, as pessoas que deveria de amar e as coisas que poderia estar fazendo, mas não estou, não amo ou não faço, ou por falta de tempo, coragem ou por pura preguiça mesmo.

são nesses momentos que eu decido deixar tudo e comprar passagens para viagens, amores e combinações divertidas de cores para os próximos trabalhos.

estrangeiro

yutaka é o meu primo japonês. que eu não sabia que existia, até ele mandar uma carta perguntando se podia passar um tempo aqui. e apesar de toda revolução que aconteceu em casa, de resolverem ceder o meu quarto para o estrangeiro, eu dormir no sofá, ter chá onde devia ter refrigerante e arroz para o café da manhã, eu gostei.

os costumes são diferentes, mas vivendo com ele me faz relembrar como é o cheiro do mundo. de ter saudades como rotina e conhecer novos lugares, amigos, comidas, abraços e cervejas. sinto falta desse olhar estrangeiro, do deslumbramento que a gente tem quando a cidade respira em línguas que a gente não conhece.

o diálogo entre eu e meu primo é uma mistura excêntrica de inglês e japonês com pitadas suaves de mímicas e onomatopéias. sou um tipo de especialista bizarro em falar com pessoas sem saber a língua. é engraçado. aprendo muitos palavrões. o foda é fazer as mímicas.

penso que tenho trabalhado demais

tem dias que não tenho voltado para casa. e quando um dia encontra o outro, não sinto o correr das horas e tudo parece uma coisa só e uma semana se passou e não lembro se o que aconteceu foi hoje de manhã, anteontem ou quarta-feira. e nessa correria não há tempo, nem sanidade, para pensar nas sutilezas dos dias, no relógio biológico da poesia cotidiana.

às vezes, penso se isso é necessário. e de vez em quando, me permito passar por alguns esforços, xavecos mal-sucedidos, dores e tropeços para tentar conquistar algumas coisas. mas será que precisa? no mundo inventado, a gente faz o que tem vontade e o que faz bem. não fala com quem não gosta. e o que não quer comer, deixa no cantinho do prato, não pega coletivos em horários caóticos: a gente faz a vida no nosso tempo e vai mais sossegado. ainda lê um livro na viagem. no mundo inventado, o único lugar onde a gente se perde são nos parágrafos compridos demais enquanto a gente se pega divagando em outras belezas.

será que precisa?

ano novo, ano velho

assim como drummond, penso que nossos antepassados em algum dia resolveram dividir o tempo (em dias, meses, anos, etc…) para não perder a esperança que amanhã, mês que vem ou o próximo ano será melhor. então, os ânimos e energias se renovam e começa tudo novo de novo. novos erros, novos acertos. amores e desconcertos. de dois mil e sete eu já cansei e estou praticamente fechando para balanço.

sinto energias e sorrisos gigantes para dois mil e oito!

chá de jasmim

essa sensação de incompletude é irritante.

quando a bateria do celular fica no último nível, a do ipod no vermelho, o indicador da gasolina piscando e, principalmente, quando algumas expectativas não acontecem. e isso causa uma certa angústia para todos os pequenos defeitos que não repararia se fosse um dia normal (com doses comedidas de quintanares). e a gente se perde e as ruas aparecem na contra-mão e o semáforo fica amarelo e avanço mesmo assim. a tv indica tempo nublado com pancadas de chuva e mau humorzinho para todo o dia.

mas só chove na hora de sair.

e fico com os tênis, meias, barras da calça e quereres enxarcados em um dia que tudo o que mais desejo é ficar em casa, embaixo dos cobertores, assistindo seriados da tv a cabo, segurando uma caneca de chá quente com as duas mãos para aquecer todas as coisas que as enxurradas levaram hoje.

canção do dia de sempre

“tão bom viver dia a dia…
a vida assim, jamais cansa…

viver tão só de momentos
como estas nuvens no céu…

e só ganhar, toda a vida,
inexperiência… esperança…

e a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.

nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.

nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!

e sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas…”

(mário quintana)

um quintanar para viver-viver em todos os dias.

1300

1300 é um asteróide.

que ainda não enxergo a olho nu, 1300 fica no cinturão de asteróides, entre marte, quarta-feira e júpiter. escondido em nuvens cinzentas, me manda saudações, abraços e beijinhos com sabor de cookies.

1300 descreve uma órbita aproximando-se periodicamente do meu mundo. sua força gravitacional me tira do chão, mas ao mesmo tempo me traz um milhão de dúvidas por estarmos tão perto e tão distantes. muitos pensamentos ocorrem na minha cabeça e ainda não sei sob quais ventos poderei enfrentar meu destino ao seu lado, mas sei que será muito alto e intenso.

vou te caçar, asteróide. com as redes de pegar borboletas, você me arrasta pelo espaço igual quando se caçam estrelas cadentes. tenho um sentimento que vou voar mais alto que o céu e não estarei mais sozinho nessa viagem. e isto é apenas o começo.

te espero.

volto logo.

fui para curitiba ver o tim festival e dar uma voltinha.

cronópios

os livros são organizados pela cor da capa. na prateleira, eles formam um degradê divertido e criam necessidades. no momento: os com capas amarelas. não é muito prático, mas é mais agradável arco-íris para ser ver todos-os-dias.

o inusitado para fugir da rotina. procurar por caminhos alternativos. rotas de carro para o trabalho e de sorrisos para as rotinas. e buscar alegrias nas pequenas coisas do dia.

outro dia, vi num sebo a edição em espanhol de “história de cronópios e famas” do cortázar. o livro mostra uma maneira da vida ser menos pesada se você for cronópio. a força deles vem da poesia, da rebeldia e do questionamento contra o que é padrão, o que é de costume.

ainda não sabe espanhol, mas a capa é amarela. e o melhor do cortázar transborda poesia e jeitos de viver. assim que classifica os livros.

sorte de ontem.

depois de três meses de reforma e mais um até terminar o estúdio, a gnete se isola dentro da bolha de todos os dias e não dá para saber o que está acontecendo no mundo. aí, todos os dias parecem iguais e não consigo mais te ver nas pequenas frestas do cotidiano. e só ontem soube dos monges do mianmar quando, por acaso, li no jornal que estava forrando o chão para pintar o sofá da recepção. não que isso vá mudar a minha vida, talvez eu nem saiba onde fique o mianmar. mas me senti um pouco hamster, que só vê as novidades quando trocam o forro da gaiola. e ainda com os horóscopos e sortes com prazo de validade vencidos.

um lugar.

eu conheço um lugar onde podemos ir. um lugar onde ninguém nos conhece. e eles não saberão quem somos. um lugar que nós podemos fugir e fazer o que tivermos vontade. um lugar que esqueceram. um lugar onde nunca seremos pegos. um lugar escondido, onde podemos colocar os corações para fora. onde cada segundo faz diferença e eles não saberão quem somos.

luna,

ou sobre a viagem de méliès.

12 de agosto, lua nova.
preparativos. suprimentos para a excursão: água mineral, comida desidratada, 2 quartetos, 2 tercetos e porta-retrato com fotos suas. as perseídeas chegam neste dia. chuvas de meteoros são caronas que passam logo alí para a

20 de agosto, quarto crescente.
viagem. não nos esqueçamos da cafeteira. e dos cachecóis. o aroma do café para aliviar o cheiro de atmosfera rarefeita da lua. o cachecol para as correntes frias que vêm do sul. a meteorologia diz que a qualidade do ar lá fora é ruim. estamos muito altos, a

28 de agosto, lua cheia.
explorar. para fazer brotar um jardim de girassóis, amores e seres extraterrestres preciso do verão. é um terreno irregular, lemos as crateras em braille e identificamos rostos alegres com a nossa chegada. na lua, há ovelhas disfarçadas de nuvens que a olho nu, da terra até se engana, mas daqui, servem de travesseiros para

4 de setembro, lua minguante.
dormir. os abraços em formato de concha. a lua ia ficando pequena e côncava. e não havia espaço para esticar as pernas. este satélite é o novo mundo, onde ainda não existe muita coisa e podemos esquecer e começar tudo de novo - inventando novos nomes para nós e para as estrelas que caem das nossas constelações.

será que vai chover?

“esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o céu! lá faz sempre bom tempo…”
(mário quintana)

é julho. algumas semanas antes, eu pensava e olhava se lá era onde eu deveria estar. porque a correria cotidiana e todo esse estresse tomava tanto tempo da vida que não sobrava espaço para a poesia dos dias.

e de volta à idéia do eterno retorno de kundera: fecho mais um ciclo na minha vida. por mais que eu amasse o que eu fazia, depois de quase 3 anos, o meu lugar e tempo não eram mais ali. eu deixei o meu emprego. minhas ansiedades, sonhos e precipitações exigiram outras continuidades.

para alimentar novas esperanças. em um mundo com as cores renovadas e as energias reabastecidas que inevitavelmente vão acabando aos pouquinhos e a gente não percebe e começa a odiar as segundas-feiras e todas essas pequenas coisas que aborrecem os medíocres e medianos.

a gente cria um mundo para se proteger e nele a vida é para sempre sexta-feira. com o vento para balançar os cabelos e aquele sol para nos abraçar confortavelmente.

malabarismos para os sentimentos.

nessa época de confusões em metrôs, aeroportos conturbados, início de solstícios e alguns pontos de trânsito para a minha vida, encontrei uma pessoa com abraços quentes e lábios macios para me trazer confortos sinceros e cumplicidades para piadas internas. ela também desenha sonhos, mas com tecidos e texturas coloridas. e até quem me vê passando por aí, encontra um homem seguido por um cortejo de borboletas amarelas sentindo saudades, mas aquelas saudades bonitas, conhece?

lari, li seu texto.

e sabe, não tenho uma opinião formada sobre isso. eu sei o que agora parece ser certo para mim, mas que talvez não seja para sempre. eu acho que a gente tem que se jogar para as experiências que o nosso coração acha que é certo e buscar borboletas. talvez daqui há algum tempo isso pareça um ato desesperado. mas a única coisa que importa é seguir o coração. e calejar e amolecer e machucar e depois, com soprinhos, cicatrizar com abraços quentes e lábios macios de quem sempre vai te trazer confortos. mesmo em uma quarta-feira caótica.

o grande problema são as pessoas. falta poesia nas suavidades dos gestos e sentimentos. as relações de hoje são ilhas egoístas que praticam a corrida das línguas.

mas eu não tenho medo de cair com pessoas-poetas: faço das cicatrizes, estrelas.

mandando beijos para a chuva.

para r.

te proteger da violência que anda escondida pelos cotidianos.
para que ela não nos encontre.
e para que nada te deixe triste.
e com medo.

e as gotas que correrão pelo seu rosto serão só gotas de chuva enquanto você olha pra cima
e sorri
e dança
e gira o corpo com seus braços e abraços abertos para deixar mais alegres esses temporais mal-humorados. e um pouco dessa tristeza em mim.

o inverno.

o inverno começa de verdade quando além das fumaças do cigarro, nos tragos também saem os vaporzinhos. quando tiramos os cachecóis das gavetas e abraçamos o pescoço. que abraçam a alma de quem precisa de carinho e algum conforto. percebe-se o inverno, quando as putas aparecem vestidas nas ruas perdidas do centro se encolhendo nas portas das lojas fechadas. quando os abraços de cumprimento ficam mais fortes e a gente se dá calor. e preferimos canecas de café. as vontades se potencializam e o inverno me traz pessoas queridas desejando “um cachecol feito de meninices para um menininho se manter sempre aquecido… que este inverno te traga ainda mais inspirações e quem sabe alguem pra voce ficar divagando em tardes tediantes.”

bem-vindo!

para querer gabriela #09

plano de fuga:

gabriela é o lugar para onde fujo em tardes tediantes.

para ver toda a série clique no link “para querer gabriela” no lado direito.

em doses cavalares.

novamente - insistentemente - procuro o mundo em paixões fulminantes. e me vem à cabeça a idéia do eterno retorno. a repetição dos ciclos constantes que acontecem na minha vida: clichês que inspiram a criação e a leveza. esperas por pessoas que talvez nunca cheguem e juras de que tudo vai dar certo. deixo o carro na garagem para economizar dinheiro e gastar mais vida. nos coletivos, a música alta e os óculos escuros evitam ruídos exteriores. a fumaça do cigarro. todo aquele jazz. e você em paixões fulminantes. em círculos.

aquele que foge de seu controle.
uma poesia.
sobre a valsinha do relógio de ponteiros,
compassada com sábados, domingos
e claves de sol, sorria.

para respirar risos, bom dias.

sobre o seu tempo:
um pouco para mim.

s.o.s.

as pessoas que vivem poesia não deveriam andar, conviver, tomar cerveja, banho quente ou sorvete de sabores favoritos com pessoas que não gostam de versos. elas fazem perder as emoções e esperanças com um jeito racional e pequeno de vi-ver. e são demenos para poetas. não mudam o mundo e não têm forças invencíveis que o fazem girar. eles não sabem a cor do céu.

eu tenho bilhetes para o mundo fantástico.

welcome the night.

os dias são divididos por espectros de céu. faixas coloridas de azul e todos os seus tons. o céu, de vez em quando, é laranja, vermelho ou rosa - como a carolina gostava - e quem diz que o céu é azul “é analfabeto de céu”.

o cheiro da juventude (desses tempos). o céu tem a cor da sensação do primeiro gole de cerveja. das seis horas. quando sobra um cigarro no maço. e o que importa é agora. eu tenho as cores nas pontas dos dedos e o céu de todas as cores que quiser. de vez em quando, é cravejado por diamantes, constelações que contam histórias mitológicas e do futuro.

a linha que divide o dia da noite.

“honestamente, se você não estiver disposto a parecer estúpido, você não merece estar apaixonado.”

das coisas mínimas.

o hélio costumava dizer que as pessoas não casam com seus pares apaixonados, mas com aquelas que se completam de alguma forma que não conseguem explicar.

que queremos para sempre aquelas que se preocupam com a gente pelas coisas mínimas. as diferenças. os detalhes. as que ligam falando que eu me esqueci da blusa pendurada no encosto da cadeira e está frio lá fora. as que olham nos olhos e disparam sorrisos mesmo quando se está na chuva e não há toldos para se esconder. não aquelas que engolimos em grandes pedaços e explodem em sentimentos pelo peito, que é bom também, mas não, não é isso.

altos-cúmulos.

no intervalo do espetáculo.
a barraca de algodão-doce.
queridos são
os mais coloridos.
os que deixam os ânimos mais alegres.

algodão-doce se escolhe pelas cores. todos eles têm o mesmo sabor:
sabor de nuvem.

[ps: editado pela professora ‘fodona’ de teoria literária da unicamp da lily para o deixar o leitor interpretar livremente.]

quanto tempo tenho que ficar com os fones no ouvido quando você me pede para ouvir a música que mudará a minha vida?

ouço as mesmas músicas que você para entender a sua língua.

procura-se

companhia para ir ao teatro quinta-feira a noite. exposições de arte que a gente boceja quando chega no segundo andar e entra em êxtase no terceiro. para filmes menos comerciais, curtas metragens de pouco orçamento e coerência. filas de supermercado quando as latinhas de cerveja congelam os dedos. descobrir formas em nuvens e estrelas. para formar bandas de rock imaginárias. companhia para os cigarros noturnos e escapadelas quando tudo está tediante por aqui.

tecnicolor

it’s time to get in touch with things, we always used to dream about. i’ll take a train in technicolor. um amor tecnicolor para procurar poesia nos cantos mais escondidos da dança das horas. embaixo da cama, com pés de meias perdidas para sempre. na plataforma do metrô quando o trem apita e parte. no café, com um pouco de leite e sem espuma, por favor, ou ao meu lado e nem consigo enxergar, en-chegar, chegar.

de vez em quando

diga-me que quando ficarmos velhos e juntos, não teremos lugares fixos na cama. e a cada dia um lado para um. para não cairmos nas rotinas dos detalhes. e que eu possa ir no banco do passageiro com as pernas apoiadas no porta-luvas, que a gente cometa erros diferentes, a gente troque os lugares, os sabores das pizzas, os bancos de praça, os cheiros dos purificadores de ar, os toques e beijos e cortes de cabelo. evitando as rotinas das sutilezas, a gente tenta evitar o nosso tempo, os grãos da ampulheta, desabando pelos minutos.

and ever

pra sempre dura até quando a corrida do cotidiano não consegue mais juntar lenha suficiente para alimentar locomotivas dentro do coração que explodem o peito, percorrem trilhos e artérias para o estômago levando borboletas, leveza para a consciência e sorriso nos lábios até a gente pensar que é. pra sempre.

smokisses

quando o vento está forte, ela envolve a minha chama com suas pequenas mãos e unhas coloridas para eu acender o cigarro.

simples

quando sair da minha vida, leve um agasalho.

helios

por isso gosto do tempo assim. invernal. dos dias gelados e a gente cobre o nariz com cachecóis para poder repirar ventos que batem como lâminas. procurando frestas de sol entre as sombras dos prédios buscando conforto nas estrelas.

a vida é boa e simples

estou vivendo momentos passam depressa demais até para se pensar. o tempo não pode ser preso em fotos, cheiros, palavras e pessoas. a velocidade dos eixos giram minha vida me deixa atordoado. estou sendo levado. fazendo coisas que não me fazem feliz. mas me mantém funcionando, checando controles: ok.

quero inconstâncias. cicatrizes e soprinhos. para que o presente valha a pena e esperar tudo de tudo que está por vir. não quero perder tempo com quem não vale um oi!, vivendo de momentos que passaram. eu quero o mundo e este instante. vinte e poucos e novas realidades. quero experiências encravadas na pele e com as duas mãos comprimem dentro do peito. a cidade em motion-blur, com luzes desfocadas e copos de cerveja. menos cigarros e milhares de planos e casa e carro e um amor

que não morre nunca: motocontínuo.

com meu amor, para você

construir um novo mundo.
tudo que sonha fazer.
com meu amor… para você:

eu tive centenas de sonhos,
mas nenhum como esse.
e senti milhares coisas,
que nunca chegaram perto disso.

vamos. ver o mundo girar.
as cores colidirem,
com a esperança ao nosso lado
e tudo isto é meu.
com meu amor. para você.

a manhã conhece músicas,
cantadas como se nunca tivessem sido ouvidas.
e todos os aromas, vistas que me trouxeram vida
não conseguem conter esta alegria ainda não interpretada.

diga-me o seu sonho
e eu estarei lá.
para te servir.
com todo cuidado.

se você não se importar,
tudo o que tenho está aqui.
e tudo que eu tenho, eu darei.

com meu amor. para você.

wild at heart

joana perguntou se chegar ao topo, sua vida seria completa. se automaticamente conteria tudo. respondera que não, que existe um grande percurso entre o topo e a base.

e a vida não é destino, é a viagem.

estava com saudades e vontades de escrever. estou apaixonado. essa é a força invencível que move o mundo. como baudelaire, é preciso estar sempre embriagado; enivrez-vous sans cesse! de vin, de poésie ou de vertu, à votre guise, mas embriague-se. estou embriagado.

sonhos de jung

as imagens registradas pelo subconsciente são a matéria prima para os nossos sonhos.

andava passando-as pelos dedos, apertando-as nas palmas e deixando cair até o fundo. era cíclico.

haverá um tempo em que as declarações de amor serão gritadas como se fossem palavras de ordem com ritmo e power chords e todos os sentidos serão aguçados pelos decibéis, o êxtase correrá pelas vias sangüíneas e teremos vontade de dançar a noite toda. e tudo será tão rápido e corrido quanto os nossos dias.

era uma caixinha de música onde passavam amores e pessoas, um lugar para guardar pingentes achados, correntinhas com fechos quebrados e brincos sem tarrachas. sentimentos que podemos descartar, mas guardamos, pois somos um pouco de tudo e todos que passaram pelas nossas vidas e recordações em cicatrizes de leve.

haverá um tempo onde o amor será um rótulo e os sentimentos não deveriam ser batizados. deveriam ser deixados sorrindo para serem vividos para sempre até a próxima sexta-feira. e o para sempre durará tanto tempo, que chegaremos lá sem perceber nunca acabará.

eram palavras imaturas para descrever os sentidos. eu pegarei a sua mão, se você apertar a minha. ele tinha um punhado de pétalas nas palmas das mãos.

laís

she’s the most beautiful. wearing that dress and dirty boots. é o sol negro. ilumina a noite com luzes de alucinógenos. são luzes quando a velocidade do obturador é baixa e o rastro de luz a persegue pelas fotos. ela foge em quantidades extravagantes de etílicos. elle court seule dans la rue, mas está longe da solidão: elle parle avec anges. après la pluie. depois da chuva sobram as histórias. pula as poças. pula as horas com seu coturno. pegando forte pelo braço e abraços, beijos e dividindo o tempo com o passado nostálgico e um presente: este momento. sonhos com gosto de sorrisos verdadeiros engatilhados e mãos dadas.

e ainda quer o mundo.

how long before i get in?
before it starts, before i begin?
how long before you decide?
before i know what it feels like?

a melhor hora, incontestavelmente, é seis horas da sexta-feira. por mais que goste do meu trabalho, é a melhor sensação caminhar para casa com o sol caindo, a música nos fones de ouvido, o peso e todo o calor da semana evaporando no fim da tarde. o ar fica mais aconchegante. bom de respirar. na televisão, essa semana todos os dias foram os dias mais quentes do ano e a frente fria do sul que ia chegar terça-feira deve ter se perdido por aí.

look up, i look up at night,
planets are moving at the speed of light.
climb up, up in the trees,
every chance that you get,
is a chance you seize.

voltando pela avenida paulista, o rock embala os passos, o cigarro roda pelos dedos e faz o corpo mais leve. ver todo aquele trânsito de horário de pico, assistindo da calçada, as luzes e pessoas correndo para não perder o ônibus, o horário das aulas, pessoas queridas. desço para o metrô.

all that noise, and all that sound,
all those places i got found.
and birds go flying at the speed of sound,
to show you how it all began.
birds came flying from the underground,
if you could see it then you’d understand?

retrosushispectiva 2005

inevitável. afinal, apesar dos desastres naturais e dos desastres humanos mesmo, políticos tresloucados e um presidente da câmara chamado severino entre outras e demais cagadas, 2005 foi um ano bom. para mim.

(emprego)
no final do ano passado, fiz um monte de entrevistas. me chamaram em três lugares. a escolha foi difícil, mas fui para o lugar certo. estou no emprego que eu consegui ficar mais tempo (um ano!) e nem dói tanto acordar cedo todos os dias para ir trabalhar. adoro o que eu faço e as pessoas de lá.

(pessoas boas)
falando em gente, este ano conheci um monte de pessoas gostosas de viver: amigos do peito, mães de consideração, companhia para cigarro, companheiros para vida. gente que eu não conheci tão afundo assim, mas pretendo. princesas perdidas em cidades distantes. irmãos de abraço. conheci pessoas para se admirar. para querer ser. muita gente também se afastou, eu também me afastei - me falaram para querer bem só quem me quer.

(pessoas não tão boas assim)
criei alguns inimigos. peço desculpas pelas coisas que podem ter magoado, ferido sentimentos. eu desejo sorte e novas oportunidades. e para os que não merecem tanto assim, desejo quintanilhas:

(leitura)
“todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão.
eu passarinho!”

e li coisas muito legais - desculpe, não tive muito tempo para escrever sobre - mário quintana, garcia marques, algumas coisas do cortázar, foram algumas dezenas de horas em ônibus de viagem e esperas que iam se preenchendo com letras e ambientes imaginários.

(viagens)
pode se dizer que viajei pra caralho. conheci cidades que eu não sabia que existiam (são um mundo a dentro). e nessas cidades conheci muita gente bacana. ares diferentes, horizontes feitos com outras linhas. x-burguer com presunto! e farmácias que vendem isqueiros. (surreal, né?) numa dessas viagens, no dia 25 de setembro eu vi weezer em curitiba, era 1 hora da manhã e eu estava meio embriagado de campari, eles pareciam bonequinhos de brinquedo, as luzes coloridas, encontrei gente conhecida de tantos lugares, foi perfeito. e no dia seguinte, conheci a tai, minha namorada.

(felicidade!)
mas trocando em miúdos: 2005 foi um ano muito bom e que venha o bissexto 2006, com um dia a mais de lambuja, muito mais sonhos.

gosto de viajar pela madrugada, quando não se consegue enxergar a monotonia da mesma estrada de infinitas horas para os olhos e psicológico. ligo os fones de ouvido e durmo já nas primeiras músicas, antes de sair de são paulo. e sempre acordo do mesmo lugar: vendo os tubos de paradas de ônibus naquela avenida grande que não sei o nome com o dia amanhecendo e o frio.gosto de viajar assim, quando não é dia de nada, não tem ponte, nem feriados emendados. há poucos lugares ocupados e a gente joga as pernas na poltrona ao lado para não dar mau jeito.

viajar é como fazer a sesta depois do almoço, é um descanso, um respiro entre as horas quotidianas. é sair da rotina, respirar novos ares. é pessoas ficarem olhando estranho estrangeiros. é levar camisetas de frio e fazer o maior calor tropical terrestre, levar bermudas e nevar. esquecer o fio dental, shampoo, barbeador e lembrar só lá.

minha irmã diz que sabe quando eu fui viajar quando de noite vai escovar os dentes e não encontra a minha escova. viajar é levar a escova de dentes para passear.

curitiba sweeties

esse feriado fui para curitiba de novo. desta vez conheci um pouco melhor a cidade. não estava nublado e nem fiquei so far away do centro. foram quatro dias andando, dormindo, comendo e andando (você não tem idéia do quanto andamos!) por lá. fazia tempo que eu não andava tanto assim e com o sol que fez por esses dias, os caminhos pareciam triplicar. pela noite, tudo era mais perto.curitiba é charmosa, uma pequena cidade grande. milhares de pracinhas e ruas de mão única, ruas arborizadas bem cuidadas.

são paulo, em meio de arranha-céus, ofuscantes luzes de neon, vias expressas e conturbados centros de compras, tem tanta vontade de crescer e desenvolver que esquece de se embelezar nas pequenas coisas. em suas praças abandonadas, portões enferrujados, calçadas quebradas e pessoas com bom-senso.

curitiba é uma cidade que gostaria de morar por algum tempo, algum dia. espero que em breve.

sobre materiais isolantes

comprei fones de ouvidos novos. já devo ter falado sobre isso em algum dos diários anteriores, mas estes novos são melhores: eles vedam qualquer possibilidade de exterior.e se tudo se resumisse a sentidos auditivos, a gente cria um mundo selecionável onde só temos o que queremos, nos deixa bem.

porque não podemos ter só o que queremos, o que escolhemos, mas ter algum controle em certas coisas é anestésico para esses dias que cansam.

robert motherwell

“art is much less important than life, but what a poor life without it!”

you look so good on green

às vezes, ela canta quando fala. tem um gosto musical um tanto duvidoso. tem também um gato que apanha dos outros gatos da rua e uma parte dos meus sentimentos que levou quando era 26 de setembro e tocavam umas musiquinhas tristenstrumentais de fundo e o alto falante avisava que era a última chamada para o seu ônibus.

eu quero estar perto de você. somos planos para o futuro em 16 por 20. mas que cheguem logo! esses dias que passaram foram frios e chuvosos, agora, voaram. encoberto de nuvens e cobertorezinhos de merda.

tomara que não chova. depois de amanhã serão estrelas e smokisses e um monte de gírias e piadas internas que talvez ninguém entenda, sei lá, talvez nem sejam importantes assim para as pessoas do mundo exterior: são reações químicas que eu matei aula no colégio.

ela é feita de pequenos pedaços de esperança em vozes macias nesse meu cotidiano caótico cantarolando eu te amos. não percebia, mas isso me fazia falta. e pra caralho.

porquê design?

olhar e enxergar os detalhes, a importância e influência que exercem as pequenas coisas. as sutilezas dos contrastes finos. as hastes e corpos dos caracteres e as texturas dos reflexos que as luzes fornecem aos olhos.nós vestimos e refletimos o que fazemos: na escolha das roupas, mesmo sem querer, diagramando recheio de sanduíches e guardanapos sobre a mesa, o jeito bagunçado-arrumado de organizar gavetas e papéis, de escrever monografias e slides acadêmicos, acabo vivendo isso, 24 por 7.

e é com isso que eu acho que todos deviam trabalhar. com coisas que são obrigações agradáveis. trabalhos, conceitos, estéticas que transportamos do ambiente “work” e utilizamos no dia-a-dia e nos transformam em pessoas melhores. pessoas mais interessantes e diferentes. as pessoas apaixonadas, mesmo que por assuntos diferentes, são pessoas melhores. a paixão, o tesão. é isso que faz o mundo girar. e é isso que tenho pelo que eu faço e vivo.

eu trabalho com design, adoro fazer meu “trabalho”. parece que transformo pedacinhos de nosso mundo para deixá-los esteticamente mais agradáveis aos olhos. e isso já me gratifica muito.


ps: 20.07.08 - hoje trabalho com marketing alternativo, buzz marketing e comunicação digital. mas sempre focado na área de criação. você pode saber mais sobre o que eu faço no meu blog de trabalho.

moto-contínuos

de todas as coisas belas e pequenas. da luz e da sombra. que me levam a dentro. de fora ninguém sabe exatamente como funcionam as engrenagens e os sistemas moto-contínuos. nunca páram. não funcionam com combustível, as explosões são cardíacas.

deve-se entender: é só olhar para frente, o calor do sol e correr.

curitiba, 23 de set. 2005

a fixação de sempre querer ir para fora - para abraçar o mundo, esquecia-me daqui. que tenho muito a conhecer e amar. para descansar a alma, cicatrizantes para corações. corre trilhas, centenas de quilômetros, correm olfatos para novos aromas e sentidos. corre por planaltos e sabores diferentes, vegetações de coníferas e celestes laranjas.

há tanto mundo a dentro, beleza e sentimentos que estufam e explodem de vida o peito no (nosso) interior. e se descobre que fora de são paulo e dos nossos cotidianos, não há somente pracinhas e igrejas matrizes. há amores longínquos e pessoas muito especiais atravessando alguns estados.

esteja onde eu puder te alcançar.

capítulo 7

Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.

o jogo da amarelinha; júlio cortázar

a movie script ending

eles morriam a cada vez que se despediam. desta vez para sempre. em aeroportos os passos eram em caminhos opostos. olhando para trás tentando adiar ausências eram pára-quedas que aterrissariam distantes.

era liberdade. não era necessidade, era alívio, asas.

forgotten and absorbed into the earth below
the street hits the urgency of sound
as you see there’s no one around.

o apartamento dos sentidos

mesmo que não goste tanto assim de café, comprou uma cafeteira. para servir para as visitas de vez em quando. para deixar ligada pelas manhãs.

o café impregna pelos cômodos, perfuma os cheiros da solidão.

quando te perguntar se a gente vai dar certo, responde que não sabe. porque a gente não pensa no futuro. o que importa é o momento e você é igual a mim.

o futuro ninguém sabe. mas melhor com você.

kerouac

“lucille jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outras até desistir. assim é a noite, e é isso o que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão.”

ela quer ser gabriela

mas não pode, porque gabriela são realidades oníricas. são esperanças infindáveis em pessoas como a gente. gabriela é diferente, porque não segue personagens, os sóis e luas e borboletas amarelas orbitam ao seu redor.

não pode ser gabriela, porque seus sonhos não são sinceros. e gabriela caminha com suavidade em patins de nuvens.

gabriela é solitária numa cidade de 16 milhões de pessoas. porque os trânsitos são caóticos e não deixam passar pessoas que valham a pena se apaixonar. mas gabriela não se desespera, gabriela “são esperanças infindáveis em pessoas como a gente…”

cafe de flore

começa assim, começa segunda-feira. começa quando as aulas da faculdade terminam e saio do trabalho às seis. começa quando chove mais ou menos e o frio é o juniano. e depois que me despeço no elevador, lá fora, no outro lado da rua, uma banda de jazz explode acordes para fora do teatro - inusitadamente: é programação de inverno.

aquelas luzes laranjas da rua maria antônia e da consolação. as garoas reluzem calores. acendo meu cigarro e deixo as pequenas gotas irem me resfriando. penso em corações flechados subindo a avenida consolação.

no cruzamento com a avenida paulista, não me lembrava, agora a maioria dos postes de luz agora são de luzes quentes. as pessoas passam correndo, fugindo do frio e chuva. e apesar de querer ir embora daqui, são paulo é a mais aconchegante das cidades. e um dia inteiro de trabalho voltando por entre pessoas, pelas luzes e reflexos, por cima dos respiros do metrô, um ar quente que parece carinho.

caminho com fones de ouvidos e cachecóis e acaba em um clarão, descendo as escadas do metrô.

para querer gabriela #08

Sabe que julhos invernais não se é suficiente em cobertores e blusas de mangas compridas. Alivia-se segurando forte canecas de chocolate quente com as duas mãos, dando soprinhos para não queimar a língua.
Mas Gabriela se aquece em abraços:

com o braço esquerdo por cima e o direito por baixo. Diz que é o abraço do coração: quando os braços esquerdos estão por cima, os corações ficam mais abertos e pertos um do outro.
A gente se sussurra palavras aconchegantes no ouvido.

Há mais calor; é de coração

para querer gabriela #07

Como arma secreta, dissimula movimentos.
Como se respirasse, dispara sorrisos
com arcos e setas que se parecem meninos de Vênus.
Porque cegam os olhos com mundos em tinta a óleo
e (Gabri) ela parece ser para sempre.
Caminha como quem anda em patins de nuvens,
desliza na delicadeza de seus pés e dedos.
Gabriela is a lovesong for no one.
De versos variados e assuntos repetidos.

para querer gabriela #06

Querências.

Se lhe perguntassem, Gabriela não saberia responder qual é sua banda favorita, livro predileto, melhores sonhos ou chocolates de sua preferência. Apesar de serem paixões incontestáveis, seria muito confusão explicar só com palavras escritas. E palavras escritas são o único meio que seres humanos modernos entendem.

Talvez, um só preferido seria injusto.
Demenos demais.

para querer gabriela #05

coletivo.

gabriela gosta de sentar-se a janela.

diz que gosta de ver pessoas lá fora, inventar destinos, imaginar cotidianos e perceber surpresas. tão depressa e entregues ao esquecimento quanto os pontos do ônibus passam. divertimento que não a permite perder sorrisos pelo itinerário.

mas na verdade, ela só quer se sentir protegida. sentando no lado de dentro do banco; abraçada por gente e a vitrine de mundo da janela de acrílico.

pára-quedas e salva-vidas são dispensáveis.

para querer gabriela #04

notas de uso;

gabriela nefelibata.
menina feita de sonhos e nuvens.
não sonhos de pães fritos de padaria,
mesmo assim, polvilhados em açúcar e canela.
e estratos-cúmulos.

sonhos para serem digeridos em dias assim,
estranhamente nublados e frios
de começo de ano em que a cidade está vazia
de gabrielas.

para querer gabriela #03

caretas.

gabriela é sempre linda.

menina rosa por dentro e por fora, mas no físico pouco importa. aliás, import’assim; quando chove granizo, quando o sol lhe bate na cara, quando o abacaxi está ácido demais, quando entra xampu nos olhos, quando chora de dor – segura pela mão:

gabriela é sempre linda.

para querer gabriela #01

gabriela não gosta de rosas…

ela não deixa os botões dessas desabrocharem porque esses
sentimentos são lugares-comuns, as paixões vermelhas são aulas de marketing - qualquer um deixa-se apaixonar pelas rosas. gabriela é diferente, sabe que o sol sempre segue seus dentesorrisos.

…prefere girassóis.